A vigilância é a virtude afirmativa e combativa, que nos impede de esquecer ou de trair a "única coisa necessária": é a presença de espírito, que constantemente nos traz à memória Deus, e que por isso mesmo nos deixa atentos a tudo o que nos afasta d'Ele. Essa virtude exclui toda negligência e todo descuido — tanto nas pequenas coisas quanto nas grandes —, visto que se baseia na consciência do momento presente, deste instante sempre renovado que pertence a Deus e não ao mundo, à Realidade e não ao sonho. É neste contexto que se situa, repetimos, a qualidade de disciplina, de domínio de si, de retidão em todas as coisas.
Roberto Pla: Evangelho de Tomé - Logion 103
Estar em vigília é a adoração própria de quem em uso do fruto da semente que receberam, exerce seu poder de se fazer filho de Deus. Os que vigiam, vivem despertos, porque mataram o sono para sacudir a ignorância de Deus e esperam a Vida que trás o Filho do homem.
Estes são os que segundo anunciou Jesus, “não saborearão a morte até que vejam ao Filho do Homem vir em seu Reino; porque o esperam com suas “forças” reunidas e bem cingidos os rins de sua consciência, para contemplar em espírito e verdade a hora de sua Vinda (v. VINDA DO FILHO DO HOMEM).
Conta o quarto evangelho que quando Jesus (o Vivente), aparecido a seus discípulos às margens do Tiberíades, saía com Pedro, a quem havia profetizado o tipo de morte com a que ia glorificar a Deus, o perguntou Pedro, então, por João, e Jesus o respondeu: “Se quero que fique até que eu venha, que te importa?”. E não disse: “Não morrerá”, senão que o Filho do Homem viria a João antes de que este morresse.
Isto mesmo é o que anos depois dizia de si mesmo o apóstolo Paulo: “Nós os que vivamos, os que ficamos até a Vinda do Senhor, não nos adiantaremos (por isso) aos que morrerão (aos que receberão a vinda depois de morrer).
- Ou o que é o mesmo: os que todavia estejam com vida terrena quando recebam sua parousia particular.
Os que alcançam a Vida “antes de saborear a morte”, são somente “os poucos”, os bem-aventurados que não são filhos da noite, senão filhos do Dia, os que velam. Para eles, o Senhor não haverá de Vir como um ladrão, senão como o Filho do homem, para ser um com eles, e para fazer morada, junto com o Pai, neles.