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id da página: 683 DIAKRISIS – DISCERNIMENTO – DISCRIMINAÇÃO – FURQAN

diakrisis

PHILOKALIA-TERMOS — DIAKRISIS – DISCERNIMENTO – DISCRIMINAÇÃO – FURQAN


VIDE: NOUS; LOGISMOS

Ora, quanto ao que está enfermo na fé, recebei-o, não em contendas sobre dúvidas (diakrisis). (Rom 14:1)


E a outro a operação de maravilhas; e a outro a profecia; e a outro o dom de discernir os espíritos (diakrisis); e a outro a variedade de línguas; e a outro a interpretação das línguas. (1Co 12:10)

Mas o mantimento sólido é para os perfeitos, os quais, em razão do costume, têm os sentidos exercitados para discernir tanto o bem como o mal. (Heb 5:14)

DISCERNIMIENTO (diakrisis): en general, es la capacidad de acoger las mociones de la gracia (kharis) y los signos de Dios, asumiéndolos, sin alterarlos por exceso o por defecto; se refiere también a la capacidad de distinguir la acción (praxis) verdadera de la gracia (kharis) y de los impulsos que proceden de ella, de los engaños del demonio (diabolos), quien puede quizás, presentarse bajo la apariencia del bien (agathon). El discernimiento entre el bien (agathon) y el mal (kakon) pertenece a la verdadera ciencia (gnosis). En un padre espiritual, además, el discernimiento se manifiesta también por la capacidad de adaptarse, en alguna manera, a la "medida" del interlocutor, secundándolo y disponiéndolo a recibir mociones del Espíritu (nous), sin prevenirlo ni inducirlo a hacer lo que Dios aún no le pide y para lo que, en consecuencia, no da la gracia necesaria.


PHILOKALIA: DISCERNIMENTO


ASCETISMO E MISTICISMO: Tanquerey: Compêndio de Teologia Ascética e Mística — DISCERNIMENTO DOS ESPÍRITOS



Encyclopedia of Psychology and Religion. David A. Leeming, Kathryn Madden, Stanton Marlan (Eds.)

O discernimento é um conceito central na tradição islâmica, embora o termo não apareça em dicionários e enciclopédias em língua inglesa sobre termos e conceitos corânicos. A palavra furqan, geralmente traduzida como “critério” ou “distinção”, expressa a noção de algo separado ou diferenciado de outra coisa. Tanto a Torá hebraica quanto o Alcorão são designados como furqan (a primeira em 2:53 e 21:48 do Alcorão; o segundo em 3:4 e 25:1), pois cada um desses livros foi revelado com o propósito de auxiliar os seres humanos a discernirem a diferença entre a verdade e a falsidade. Os muçulmanos creem que, no fim dos tempos, haverá uma vitória decisiva, após a qual a verdade reinará de modo manifesto e incontestado.

No Islã, o conceito de discernimento é também expresso pelas noções de “orientação” (huda) e “desorientação” (dalal). Deus é a única fonte de orientação (2:120; 7:178), pois é Ele quem mostra ao ser humano tanto o caminho correto quanto o incorreto, deixando-lhe, contudo, a liberdade de escolher entre ambos (76:3). A orientação manifesta-se sob três formas: instintiva, quando Deus concede ao ser humano um senso inato de “seu mal e seu bem” (91:8); racional, quando a razão concedida por Deus permite refletir racionalmente sobre o próprio lugar no universo; e revelatória, uma orientação infalível manifestada tanto na Torá quanto no Alcorão, embora este último seja entendido como a melhor orientação (17:9). A “desorientação” também ocorre por desígnio divino, mas Deus somente desorienta aqueles indivíduos que já escolheram o mal. Em certo sentido, esses indivíduos pediram pela desorientação, e Deus os desvia a fim de puni-los por seus pecados (7:155) (Mir, 1987).

A tradição sufista enfatiza especialmente um processo de discernimento. Nesta perspectiva, os seres humanos são considerados microcosmos do cosmo, de modo que existe uma correspondência entre eles e todos os níveis da existência, inclusive a Realidade Divina que transcende o universo. Muhammad afirmou: “Há setenta mil véus de luz e de escuridão que nos separam de Deus, e eles constituem o universo”, e ainda: “Aquele que conhece a si mesmo conhece o seu Senhor”. Assim, “o objetivo da vida espiritual é ser capaz de erguer o véu da exterioridade para contemplar o interior e, subsequentemente, vir a conhecer o exterior à luz do interior” (Nasr, 2007:49). Trata-se de um processo de interiorização sempre mais profunda, pois os véus apenas se tornarão transparentes à realidade além deles quando o indivíduo houver penetrado em seu próprio centro e levantado os véus interiores. A visão interior, que resulta da orientação divina e da fidelidade à prática devocional, será, em última instância, capaz de distinguir o real do ilusório em todos os níveis do cosmo.

Crítica psicológica. Psicologicamente, o discernimento designa um processo intencional que busca tornar o material inconsciente acessível à consciência, a fim de possibilitar decisões saudáveis e apropriadas. Por exemplo, é possível formular uma série de perguntas acerca de uma questão a ser discernida, ou a respeito de um sonho, para observar o que “vem à tona”, tornando-se, assim, mais autoconsciente e capaz de fazer escolhas que correspondam à própria natureza, em vez de satisfazer expectativas alheias (Wolff, 1993; Gendlin, 1986). O resultado pode ser a liberação de energia, a viabilização da cura e a facilitação da integração. Contudo, tal processo de discernimento nunca é fácil: a atitude consciente domina todo esforço de interpretação. O inconsciente permanece sempre inconsciente, e a capacidade de autoengano é infinita. Por essa razão, a maioria das pessoas interessadas em discernimento, atualmente, enfatiza a necessidade de diretores espirituais experientes, e o discernimento comunitário é preferido em relação ao processo realizado isoladamente. Ademais, observa-se cada vez mais a aplicação de práticas e tradições clássicas de discernimento a contextos políticos e corporativos (Brackley, 2004; Libanio, 1982; McClain, 1988; Urena, 1979; Delbecq, 2002).


Robin Amis: UMA CRISTANDADE DIFERENTE

«Sem diakrisis o caminho é facilmente perdido» (Cassiano). Embora traduzido por «discriminação», é um termo grego que os Padres da Igreja usaram constantemente de modo muito especializado, enquanto um elemento essencial no deslocamento pelo Caminho. A discriminação é um poder da inteligência. Máximo o Confessor afirma: «enquanto o poder discriminatório da alma, nous, persuade a alma a se agarrar a primeira e trancender a segunda», ele se refere a duas espécies de influências, uma a influência do mundo (a segunda), a outra a influência espiritual (a primeira) que nos atrai para fora das preocupações ordinárias concernentes ao mundo.

É preciso aprender a separar nous de distrações do mundo. Esta «separação interior» requer que distinguamos e discriminemos entre o conhecimento possuído por nous e as sensações nos alcançando desde o mundo exterior. A completa discriminação leva à apatheia, a não submissão às paixões.


Frithjof Schuon: PÉROLAS DE UM PEREGRINO

As interpretações teológicas da árvore proibida nem sempre são concludentes: assim, reconhecer que o primeiro homem tinha necessariamente discernimento moral, em seguida pretender que o pecado original foi a usurpação da faculdade — reservada a Deus — de decidir o que é o bem e o mal é, no mínimo, contraditório. Pois, se Adão tinha discernimento moral, tinha por essa mesma razão a faculdade de aplicá-lo e a frase "decidir por si mesmo o que é o bem e o mal" não tem sentido algum, a menos que signifique o desejo de ir contra o discernimento; mas, neste caso, há a violação de uma faculdade humana e não a usurpação de um privilégio divino. Além disso, dizer que, decidindo o que é o bem e o mal, o homem se põe no lugar de Deus é insinuar que o bem e o mal resultam de uma decisão divina, isto é, de um veredicto cujas causas não podemos ignorar; aí está uma opinião que nos leva a certos exageros da teologia asharita. Evidentemente, a avaliação moral, seja extrínseca ou intrínseca, circunstancial ou essencial,86 nada tem de arbitrária: é mal aquilo que por sua natureza ou no plano da sua manifestação se opõe a Deus, ou aquilo que de fato é prejudicial ao homem, estando o interesse superior sempre à frente do interesse inferior. Embora seja evidente, lembremos a esse respeito que um bem objetivo pode ser subjetivamente um mal para determinado indivíduo ou para determinado gênero de homens, e inversamente; por razões de oportunidade, a moral codificada e simplificadora admitirá mais facilmente esse segundo ponto de vista do que o primeiro, no sentido de que sempre denominará um "mal" todo bem moral ou socialmente inoportuno.