Todo ato da parte do Eterno constitui um centro com três ângulos.
O centro emanado é a imagem do ser produzido; os três ângulos, a imagem de suas faculdades ou potências.
Em todos os seres, nada há de fixo senão os centros.
Todas as suas potências são móveis.
O Ser supremo é o único cujas potências são tão fixas quanto o próprio centro.
A fixidez dos centros é representada pelo 1, pois é essa unidade que governa tudo em cada ser.
A mobilidade das potências é representada pelo 0 (zero), pois, nos números, esse zero não expressa senão as potências dos seres e não altera seu valor radical.
Quando o Criador formou o mundo por seis atos de pensamento, ou em seis dias, cada um desses dias foi a produção de um centro com seus três ângulos, isto é, de uma unidade com seus três ZEROS, ou, em suma, de um número MIL.
Cada zero indica uma potência que percorreu seu círculo e sua revolução; e é assim que as produções se apresentam ao pensamento do Eterno. Elas estão consumadas para Ele desde o instante de sua existência.
Os tempos foram resolvidos para Ele tão logo começaram. É o que chamamos de ano, da palavra annus, ANEL.
Esses três zeros, ou círculos de anos, precedidos de uma unidade (1), oferecem, portanto, mil anos ao pensamento do homem — e, com muito mais razão, ao do Eterno.
Cada ato chamado dia apresentava-lhe, em um ponto, o desenvolvimento dos mil anos que dele deviam decorrer; e, reciprocamente, esse desenvolvimento de mil anos não é para Ele senão um só dia, visto que Ele vê tudo em ato e em seu cumprimento.
[Louis-Claude de Saint-Martin, Des Nombres]