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Louis-Claude de Saint-Martin

Privação de Sophia

O universo jaz em seu leito de dores, e cabe a nós, homens, consolá-lo. O universo está em seu leito de dores porque, desde a queda, uma substância estranha penetrou em suas veias e não cessa de perturbar e atormentar o princípio de sua vida; cabe a nós dirigir-lhe palavras de consolação que o incitem a suportar seus males; cabe a nós, digo, anunciar-lhe a promessa de sua libertação e da aliança que a eterna sabedoria vem contrair com ele.

É um dever e uma justiça de nossa parte, pois é o chefe de nossa família quem foi a primeira causa da tristeza do universo; podemos dizer ao universo que fomos nós mesmos que o tornamos viúvo: não espera ele, a cada instante da duração das coisas, que sua esposa lhe seja restituída?

Sim, sol sagrado, somos nós a causa primeira de tua inquietude e de tua agitação. Teu olhar impaciente não cessa de percorrer sucessivamente todas as regiões da natureza; levantas-te a cada dia por causa de cada homem; levantas-te alegre, na esperança de que te restituam essa esposa querida, ou a eterna SOPHIA, de quem estás privado; cumpres teu curso diário pedindo-a à terra inteira com palavras ardentes nas quais se refletem teus desejos devoradores. Mas à noite deitas-te na aflição e nas lágrimas, porque em vão procuraste tua esposa; em vão a pediste ao homem; ele não te a restituiu e deixa-te ainda habitar nos lugares estéreis e nas moradas da prostituição (M.H.E., p. 55-56).