Não se estará de acordo com Pordage quando este afirma que ela é a precursora de Jesus Cristo na alma, visto que ambos não podem aí advir senão conjuntamente, uma vez que é nela que Ele Se envolveu para Se incorporar no elemento puro e, a partir daí, descer à região dos elementos mistos e corruptíveis — ou ao seio de Maria —, a fim de poder, em seguida, através dessa morte que carregamos em nós, elevar consigo a alma humana purificada e regenerada em Sua vida divina. Contudo, estar-se-á de acordo com Pordage quando ele representa essa Sabedoria como não sendo um anjo, mas uma virtude angélica, superior a todos os espíritos dos anjos e dos homens.
Assim, não é possível considerá-la como o espírito do Reparador de que fala Paulo (Rom., cap. 8, § 9), pois esse espírito do Reparador é Deus, assim como o próprio Reparador; é, em suma, a luz divina que ilumina todas as maravilhas da imensidão divina, ao passo que a Sabedoria é apenas o vapor ou o reflexo delas. Ela deixa passar por si todas essas maravilhas e é propriamente a conservadora de todas as formas dos espíritos, assim como o ar é o conservador de todas as formas materiais. Ela habita perpetuamente com Deus, e, quando a possuímos — ou, mais precisamente, quando ela nos possui —, Deus também nos possui, visto que são inseparáveis em sua união, embora distintos em sua natureza (Cartas).