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Louis-Claude de Saint-Martin

Nascido para o espírito

Embora o homem tenha nascido para o espírito, não pode, contudo, gozar das doçuras e das luzes do espírito senão à medida que começou por tornar-se espírito. Eis por que a sabedoria ativa e invisível faz descer continuamente seu peso sobre o homem, a fim de que ele reúna suas forças e seus princípios de vida espiritual. Além disso, essa sabedoria ativa e invisível não faz assim descer seu peso sobre o homem sem derramar em seu coração algumas dessas influências vivas de que é o órgão e o ministro, e entre as quais estabelece eternamente sua morada.

Quando assim preparou o homem, e este não contrariou seus desígnios, então ela transporta o espírito do homem para a morada dessa luz onde ele teve sua origem; e ali o homem se sacia longamente das doçuras que pertencem à sua existência; sacia-se delas sem perturbação e sem inquietude, como a própria sabedoria, porque, pelos cuidados que ela lhe prodigalizou, seu coração tornou-se puro como ela e independente dos movimentos tão incertos da frágil roda do tempo.

O superior e o inferior, encontrando-se para ele em perfeita analogia, fazem-no sentir que a paz que descobre nessas regiões invisíveis se encontra igualmente em si mesmo; ele não sabe se seu interior está nesse exterior divino, ou se esse exterior divino está em seu interior; o que sente é que tudo isso parece ser um só para ele, que todas essas coisas e ele próprio parecem não ser senão uma única e mesma coisa (Novo Homem, p. 291).