Capítulo III — A experiência metafísica da transcendência e a superação da pessoa
- O que denominamos experiência metafísica corresponde a uma "realização espiritual"
- Implica adesão total
- Implica a transformação total da consciência ela mesma naquilo que ela conhece
- A noção de misticismo especulativo é imprópria:
- Se é verdade que o "misticismo" é apenas uma modalidade, todavia passional e individualista da via de amor, é claro que este termo, que não convém às mais altas formas da bhakti, se aplica ainda menos à via do conhecimento.
- Por outro lado, o dito "misticismo" não é especulativo, na medida que este último termo evoca "raciocinamentos" mentais.
- As bases doutrinais da via do Conhecimento
- A transcendência como interioridade absoluta: transcendência, subjetividade e teologia negativa
- Os fundamentos metafísicos da "individuação de interioridade"
- Se o Vedanta não-dualista pode passar por um idealismo, é preciso reconhecer:
- Que a linguagem plotiniana concernente à realidade e a experiência do Uno, que corresponde rigorosamente ao Si dos vedantinos, é todavia "realista"
- Que o pretendido "idealismo" se encontra superado no Vedanta shankariano pelo fato mesmo que a realidade por excelência, ou o Absoluto examinando em todo seu rigor, é analogicamente designado com ser — sat — assim como consciência — chit.
- Uma das implicações mais essenciais da perspectiva metafísica consiste em dois axiomas que se formulam assim:
- Toda consciência não é consciência de algo
- Há uma consciência que não é consciência de si
- A via negativa reveste na perspectiva religiosa duas funções essenciais:
- Sobre o plano "dialético" da teologia natural de um Tomás de Aquino, aparece como o simples complemento da teologia catafática.
- Sobre o plano "existencial" da "teologia mística" de um Juan de la Cruz aparece como uma redução voluntária deste mundo à realidade substancial da qual o espiritual foi invencivelmente levado a crer, donde a negatividade pessoal da angústia e das trevas da noite sanjuanista.
- A imanência do Absoluto metafísico e a origem da negação. Significação e justificação metafísicas da "individuação pela matéria"
- O aspecto positivo da individuação de exterioridade: a "matéria inteligível"
- Distinção da antropologia metafísica da antropologia cosmológica da perspectiva religiosa
- A ausência de um "hilemorfismo" dogmático
- Um segundo aspecto capital é a doutrina do ente individual e da transmigração
- Princípio das ações e reações concordantes
- Mas o jogo das leis cósmicas que exige a continuação indefinida do ego separado através das vicissitudes alternantes das "soluções" e das "coagulações" é paralelo à ação de uma verdadeira causalidade individual, análoga à ação da mônada leibniziana
- Distinção da antropologia metafísica da antropologia cosmológica da perspectiva religiosa
- O aspecto negativo da individuação de exterioridade
- O aspecto positivo da individuação de exterioridade: a "matéria inteligível"
- O Conhecimento de Si mesmo (do ego ao Absoluto transpessoal)
- A dialética espiritual
- O não-dualismo vedanta apresenta uma aspecto perfeitamente rigoroso do que denominamos via do conhecimento
- Postula uma interiorização absolutamente radical do ser e do conhecer, que equivale a princípio a uma coincidência rigorosa destes dois aspectos
- É no Vedanta não-dualista mais que no platonismo que se encontra uma verdadeira técnica espiritual de realização do Si pelo conhecimento — gnose
- O não-dualismo vedanta apresenta uma aspecto perfeitamente rigoroso do que denominamos via do conhecimento
- A dialética espiritual
- A transcendência como interioridade absoluta: transcendência, subjetividade e teologia negativa