Mystic Treatises by Isaac of Niniveh. Translated by A. J. Wensinck from Bedjan’s syriac text with an introduction and registers. Koninklijke Akademie van Wetenschappen, 1923.
XIV A RESPEITO DE QUANDO AQUELES QUE VIVEM EM SOLIDÃO COMEÇAM A CONHECER, MESMO POUCO, QUANDO AVANÇARAM EM SEU SERVIÇO NO MAR INCOMENSURÁVEL DA VIDA SOLITÁRIA DE MODO QUE SÃO CAPAZES DE TER CONFIANÇA DE ALGUM MODO EM SEUS ESFORÇOS QUE COMEÇAM A DAR FRUTOS
Haveremos de te contar algo que tu não deves rir, pois te dizemos a verdade. Não duvides, porque aqueles de quem o recebemos são dignos de confiança.
Se penduras as pálpebras diante de Deus, não penses que alcançaste algo em teu comportamento até que as lágrimas surjam, pois teu ser oculto ainda serve ao mundo. Isso significa que estás no mesmo estágio de comportamento que os leigos fiéis. Trabalhas com teu homem exterior no serviço de Deus, mas o homem interior ainda está sem frutos. Seus frutos começam no ponto que indicamos. Quando alcançares o lugar das lágrimas, então entenderás que o espírito deixou a prisão deste mundo e pisou no caminho para o novo mundo. Então ele começa a respirar o ar maravilhoso que lá existe e a derramar lágrimas. Agora, as dores causadas pela criança espiritual tornam-se veementes. E a Gratia, a mãe comum, apressadamente entrega, por assim dizer, a alma, imagem de Deus, à luz do mundo vindouro. E quando chegar a hora do nascimento, a mente perceberá algo pertencente a esse mundo, como um perfume suave, que a criança recebeu nos membros em que cresceu.
Mas aquele que não suporta pacientemente o que é incomum moverá seu corpo com choro misturado com uma alegria que supera a doçura do mel. Com o crescimento da criança interior, haverá um aumento de lágrimas. O fluxo de lágrimas começa quando o espírito começa a se tornar sereno. Referimo-nos ao fluxo de lágrimas pertencente ao estágio que descrevemos, não àquele parcial, que ocorre de tempos em tempos.
Este consolo, que ocorre de tempos em tempos, acontecerá a todos que servem a Deus em solidão. Às vezes, durante a contemplação espiritual. Às vezes, ao ouvir ou ler as palavras das escrituras. Às vezes, enquanto se ocupam com súplicas.
Mas pretendemos falar daquele consolo completo, que continua noite e dia sem interrupção, e que vem àquele que encontrou a verdade, na solidão pela sinceridade de seu comportamento, quando os olhos se tornam fontes de água por um período de quase dois anos. Isso ocorre durante um período de transição, uma transição simbólica. Ao fim do período de lágrimas, alcançarás a paz das deliberações, e por meio desta paz, alcançarás o repouso divino do qual Paulo fala, um repouso parcial, de acordo com a nossa natureza.
Do início deste período de repouso em diante, a mente verá coisas ocultas. Então, o Espírito Santo começará a revelar-lhe coisas celestiais, enquanto Deus habita em ti e promove frutos espirituais em ti. Então tu perceberás o estado que toda a natureza receberá na renovação de todas as coisas, de forma vaga e misteriosa.
Escrevemos isto para o meu próprio benefício e para o de todos que encontrarem este livro, sendo o que alcançamos pela contemplação das escrituras e pela boca de homens verazes (e em pequena parte por experiência), para que também eu possa lucrar com as orações daqueles que lucraram com estas coisas, por me ter dedicado a elas.
Escuta também outra coisa que te direi, como a ouvimos de uma boca que não mente: assim que entrares neste lugar onde as deliberações se aquietam, a veemência do choro te será tirada novamente e tu alcançareis o estado de moderação.
Esta é a verdade exata em poucas palavras, e é verdadeira e confirmada por toda a igreja, pelos excelentes entre seus filhos e por seus principais protagonistas.