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id da página: 7782 Gregório do Sinai – O Mestre Gregorio do Sinai

Gregorio do Sinai Mestre

O Mestre

Conforme os sábios, um verdadeiro mestre é aquele que, por meio de sua percepção cognitiva abrangente, compreende as coisas criadas de forma concisa, como se formassem um único corpo. Ele estabelece distinções e conexões entre elas de acordo com sua diferença e identidade genérica, indicando quais possuem qualidades semelhantes. Ou pode ser descrito como alguém que consegue demonstrar as coisas de forma apodítica. Ainda, um verdadeiro mestre espiritual é aquele que distingue e relaciona as qualidades gerais e universais das coisas criadas — classificadas em cinco, mas compostas no Logos encarnado — de acordo com uma formulação particular que abrange tudo. No entanto, sua habilidade apodítica não se resume à destreza verbal de filósofos profanos, pois ele é capaz de iluminar os outros por meio da Visio contemplativa das coisas criadas, manifestada a ele pelo Espírito Santo.

Um verdadeiro filósofo é aquele que percebe nas coisas criadas a sua Causa espiritual, ou que conhece as coisas criadas por meio do conhecimento de sua Causa, tendo alcançado uma união com Deus que transcende o intelecto e uma direta e imediata. Ele não apenas aprende sobre as coisas Divinas, mas as experiencia de fato. Ou ainda, um verdadeiro filósofo é aquele cujo intelecto está igualmente familiarizado com a prática ascética e a sabedoria contemplativa. Assim, o filósofo perfeito, ou amante da sabedoria, é aquele cujo intelecto atingiu — tanto no nível moral, natural e teológico — o amor pela sabedoria, ou, mais precisamente, o amor a Deus. Ou seja, ele aprendeu de Deus os princípios da prática ascética (filosofia moral), um discernimento sobre as causas espirituais das coisas criadas (filosofia natural) e uma compreensão contemplativa precisa dos princípios doutrinários (teologia).

Além disso, um mestre iniciado nas coisas Divinas é aquele que distingue seres principiais de seres participativos, ou seja, seres que não têm uma realidade autônoma e autossubsistente. Ele deduz as essências dos seres principiais a partir de seres que existem ao participar neles e, inspirado pelo Espírito Santo, percebe as essências dos seres principiais incorporadas em seres participativos. Em outras palavras, ele interpreta o que é inteligível e invisível em termos do que é sensível e visível, e o mundo visível em termos do mundo invisível e suprassensorial, consciente de que o que é visível é uma imagem do que é invisível e que o que é invisível é o arquétipo do que é visível. Ele sabe que coisas com forma e figura são criadas pelo que é informe e sem figura, e que cada um manifesta o outro espiritualmente; e ele percebe claramente um no outro e transmite essa percepção em seu ensinamento da verdade. Seu conhecimento da verdade, com todo o seu brilho solar, não é expresso de forma anagógica ou alegórica; pelo contrário, ele elucida os verdadeiros princípios subjacentes de ambos os mundos com discernimento e poder espiritual, e os expõe de maneira vigorosa e vívida. Desta forma, o mundo visível se torna nosso mestre e o mundo invisível se mostra como uma morada Divina eterna manifestamente criada por nossa causa.