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id da página: 9881 Oração|ORAÇÃO ESPÍRITO

Oração em Espírito


Roberto Pla: Evangelho de Tomé - Logion 14

No que diz respeito à oração, o que o logion anota é que a oração própria dos discípulos de Jesus é uma oração em "espírito" que fixa sua atenção no Ser e não em seus dons. Em consequência, tal oração se ordena ao cumprimento da obra — a vontade do Pai — para que seu nome seja santificado por meio do conhecimento e pelo que o conhecer significa "que o amor do Pai está em nós por meio do Filho" (Jo 17,25-26).

O Filho está sempre em nós pois ele é a Palavra posta como semente e esse é o reino do Pai; mas é necessário crer na Palavra enquanto semeada para que esta possa dar fruto. Nisso consiste a obra: em que nós creiamos na Palavra para que sejamos uno com o Filho, tal como o Filho o é no Pai e o Pai no Filho (Jo 17,20-21).

Crer na Palavra que em nós está é equivalente a endireitar em nós os “caminhos do Senhor”, para que assim sejamos como “calçada reta, com o monte e a colina rebaixados” (Is 40,3), isto é, com o reino vindo a nós, “deslizado” em nós nas línguas de fogo, que trazem a sabedoria do Filho na forma de pão de vida para servir de alimento a nossos Dias.

Este orar em espírito é o que praticou Pedro quando, segundo relatam os Atos, subiu ao mais alto de si mesmo. "Então sentiu fome e quis comer", e em consequência (em cumprimento da bem-aventurança que promete fartura) lhe sobreveio um êxtase, quer dizer, um mais além, um excesso da mente que foi para ele como um abrir-se os céus.

Mas não só por Pedro sabemos deste orar em espírito, mas também por Paulo em um informe que nos dá dos coríntios (1Cor 14, 13-20)

Eles oravam em língua mas com tal excesso que o conhecimento que ao descer as chamas do espírito transmitiam não chegava como fruto à mente extasiada. Isto quer dizer que não se chegava a quebrar neles o bronze de seu firmamento, nem se esclarecia sua opacidade pela qual o conhecimento que devia ajuntar se represava nas águas de acima, coisa que só era imputável a uma insuficiente purificação batismal.

Do batismo pleno, completo, é a oração que segundo o logion pede Jesus a seus discípulos e sobre a qual os adverte. Quando um já sabe que coisa é nele mesmo o grão limpo, nu, pronto a ser guardado no celeiro, já não teme que o vento disperse a palha. Descobrir o grão como grão e a palha como palha é o cumprimento da obra do Pai; o que isto traz é a condenação voluntária, natural, da palha no fogo inacabável e consumidor avivado pelo tempo.