ANGELUS SILESIUS. L’errant chérubinique. Tradução: Roger Munier. Paris: Éditions Planète, 1970
A mística da união não significa exaltação do homem, pois, ao contrário, a unidade não pode ser realizada sem a mais rude ascese: só um extremo despojamento pode corresponder à pobreza do Nada, única forma pela qual o homem e Deus são um:
A pobreza é divina.
Deus é a coisa mais pobre. Ele é nu e fibra.
Também digo com razão a pobreza divina (I, 65).
Este dístico de Angelus Silesius mostra até que ponto não se poderia separar a mística da união do que se chama a teologia negativa.
Uma história exaustiva da teologia negativa ainda precisa ser feita: o estudo de seus inícios seria tanto mais difícil quanto seria preciso esclarecer as relações ambíguas do cristianismo nascente com o neoplatonismo e, consequentemente, com o platonismo em si. Nossa intenção será aqui somente de marcar alguns marcos, que permitirão situar Angelus Silesius nesta longa história inacabada, mas diremos que não se poderia compreender o mestre incontestável de toda a teologia negativa, Dionísio o Pseudo-Areopagita, sem se referir a Platão, a esta curta observação de Platão, mas cujos efeitos ainda não se esgotaram: o Bem é "para além da essência" (A República, livro VI, 509 b). Quer se fale de Bem, do Um, de Deus, em certo sentido pouco importa, pois o que conta é esta pequena palavra "epekina": "para além de", pois sozinha ela indica a transcendência, ou, para melhor dizer, o movimento de transcendência para "algo" que não se poderia alcançar. Este termo de "epekina" é retomado, no século IV depois de Jesus Cristo, por São João Crisóstomo que emprega também o de "akatalepton", palavra que significa: não-tomado, não-tocável, não-compreensível, todas expressões que devem nos permitir tentar uma definição da via negativa. Quer se posicione no plano doutrinal, e tal é a posição da teologia negativa; quer se posicione no plano da experiência, e tal é o próprio da mística, parte-se da mesma premissa e chega-se à mesma conclusão: Deus, porque radicalmente acima, para além do homem, não poderia ser alcançado, apreendido pelo homem, a não ser que, contraditoriamente; Deus: o Infinito, o Absoluto, seria rebaixado ao nível relativo e finito do homem. Há, por definição ou por experiência, entre o homem e Deus uma distância tal que se o homem pudesse conhecer Deus, compreender Deus, com certeza não seria Deus: para falar Dele, o homem, não podendo proceder por afirmações, é então reduzido a empregar expressões negativas, negações que não ensinam nada sobre Deus, mas que têm ao menos o efeito de deixar intacta sua Transcendência. Leiamos então Dionísio (século I depois de J.C.): "Deus não é nem alma, nem inteligência...; Ele não é palavra ou pensamento, e não pode ser nem nomeado, nem compreendido...; Ele não vive. Ele não é nem essência, nem eternidade, nem tempo. Ele não é ciência, verdade, império, sabedoria; Ele não é nem um, nem unidade, nem divindade, nem bondade... Ele não é nada do que não é, nada mesmo do que é... Ele não é nem trevas, nem luz; erro, nem verdade. Não se deve fazer dele nem afirmação, nem negação absoluta, e ao afirmar ou ao negar as coisas que lhe são inferiores, não poderíamos afirmá-lo ou negá-lo a si mesmo" (Tratado dos Nomes Divinos, capítulo V). Se há uma distância infinita entre o homem e Deus, o homem não está exilado de Deus? São Gregório de Nissa (século IV depois de J.C.), o teólogo que, a nosso ver, mais rigorosamente praticou a via negativa, não hesita em efeito em dizer que nossa relação com Deus é a do "desespero", e, no entanto, é preciso compreender que este desespero mesmo é um caminho que permite se aproximar Daquele que, contudo, permanecerá sempre inacessível. Uma grande filósofa deste tempo nos dizia um dia: "Em verdade, nós nunca somos crentes, mas somente idólatras", algo que uma Simone Weil não teria renegado, e, de fato, o homem faz de Deus ou da vida futura uma representação da qual ele se daria conta, se meditasse um pouco, que não pode ser justa tanto ela é antropomórfica e mesmo materialista. Perceber que se enganou, ultrapassar crenças com certeza inexatas, purificar a Fé de sua grosseria, é progredir, e é por isso que a via negativa, porque negativa, faz de fato avançar, embora, constatação que convida o homem à humildade, não se pode reduzir a distância infinita que separa o homem de Deus, distância da qual São Gregório de Nissa bem mostrou que não será de forma alguma abolida mesmo por nossa entrada na Jerusalém celeste, pois se Deus se mantém longe de nós isso não é somente porque a morte nos separa Dele, mas porque somos e permaneceremos seres finitos, sem comum medida com o Infinito. Crê-se atingir Deus, não é ainda Ele, não será jamais Ele, mas é precisamente no nível do que não é somente um fracasso que se opera uma reversão sutil: "Não poder alcançá-Lo, escreve Mestre Eckhart, é nossa descoberta; o fracasso mesmo, nosso sucesso." Falhar, é de fato fazer a experiência Daquele que sempre nos supera e nos ultrapassa, e assim, no momento em que o homem perde Deus, ou melhor, perde o que ele tinha erroneamente como Deus, no momento portanto em que em um deslizamento furtivo Deus se esquiva, se retira e nos atrai, em verdade é então que o homem está mais perto, pois, como escreve nosso contemporâneo Thomas Merton: "Impossível escapar do paradoxo! A Sabedoria se manifesta enquanto permanece oculta. Quanto mais ela se oculta, mais ela se manifesta, e quanto mais ela se manifesta, mais ela é oculta. Pois se conhece Deus quando se compreende que não se pode conhecê-lo, e se o ouve quando se compreende que não se conhece o som de sua voz" ("Silêncio no Céu"). A melhor relação com Deus: o Transcendente não é, não pode ser a fusão com Aquele que sempre nos ultrapassa, mas, ao contrário, a justa relação se estabelece quando a diferença do homem a Deus é como tal afirmada, e é assim que Hadewijch de Antuérpia pôde escrever: "A esta deficiência, eles encontram um preço supremo, ela é sua alegria mais alta. E sabei que nada se pode dizer dela", algo que será retomado e levado um pouco mais tarde à sua perfeição por Ruysbroeck o Admirável quando ele escreve: "O vinho o melhor e o mais saboroso, assim como o mais inebriante, é aquele do qual só a Trindade em si bebe. E é dele que, sem beber, a alma aniquilada é inebriada, alma livre e ébria! Esquecida, esquecida, ébria do que ela não bebe e não beberá jamais!"