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Bem

DIVINO — BEM — BOM — BONDADE


VIDE: AGATHON; BELEZA; ÁRVORE DO CONHECIMENTO

CRISTOLOGIA
THEOLOGIA GERMANICA: O BEM E A ALMA


SUFISMO
Corão:

Lo justo y lo bueno según la Ley divina, y no según la voluntad de tal individualidad relativa. «El bien que te espera viene de Dios pero el mal que te toca viene de ti mismo» (Corán, IV, 78-79)

FILOSOFIA
Excertos resumidos de "Les Notions philosophiques". PUF, 1990.

A noção de Bem, que constituía um dos três transcendentais medievais, corresponde à avaliação de uma coisa ou de uma ação em função de sua conformidade a uma norma moral, de sua utilidade ou de sua desejabilidade. A problemática filosófica clássica da noção tem por função responder à questão de saber quais são os fins que deve ou pode se propor a ação humana.

Platão fazia da Ideia de Bem o princípio do mundo das Ideias, e por conseguinte a condição de toda vida intelectual e prática, assim como a fundação do Ser autêntico. Esta concepção foi criticada por Aristóteles:

  • se se afirma do bem que ele é uno e comum a tudo ou que existe separado e subsistente por ele mesmo, é evidente que seria irrealizável para o homem e impossível a adquirir
  • é embaraçoso precisar a utilidade que tiraria um tecelão ou um carpinteiro do conhecimento que tem deste bem em si ou em que medida a contemplação desta ideia facilitaria a prática da medicina ou da estratégia.


Para Aristóteles, o Bem comporta tantas categorias quanto o Ser (eis porque os medievais o consideram como uma noção transcendental). Como substância, o Bem Supremo se denomina Deus e inteligência; como qualidade, as virtudes; como quantidade, a justa medida; como relação, o útil; no tempo, a ocasião; no espaço, os diferentes costumes. A homonímia do Bem, contrariamente à homonímia verdadeira, não vem por acaso. Aristóteles sugere que se trata de uma analogia (por exemplo, a vista tem para o corpo o mesmo papel que a inteligência para a alma).


Aristóteles: ÉTICA A NICÔMACO, I, 1094 A 1-9, 18-24.)

Toda arte e toda investigação, e do mesmo modo toda ação e escolha, parecem tender a algum bem; por isto se disse com razão que o bem é aquilo para ó que todas as coisas tendem. No entanto, parece haver alguma diferença entre os fins, pois uns são atividades e outros, à parte destas, algumas obras. Nos casos em que há alguns fins à parte das ações, são, naturalmente, preferíveis as obras às atividades. Mas como há muitas ações, artes e ciências, muitos também são os fins: com efeito, o da medicina é a saúde; o da construção naval, o navio; o da estratégia, a vitória; o da economia, a riqueza. (...)

Mas se existe algum fim de nossos atos que queiramos por ele mesmo e as demais coisas por ele, e não escolhemos todas as coisas por outra diversa (pois assim se seguiria até o infinito, de sorte que o desejo seria vazio e vão), é evidente que esse fim será o bom e o melhor. E sendo assim, não terá seu conhecimento grande influência sobre nossa vida, e, como flecheiros que têm um alvo, não alcançaremos melhor o nosso? (...)


PERENIALISTAS
Frithjof Schuon: O ESOTERISMO COMO PRINCÍPIO E COMO VIA

Pois o bem, tendo por definição uma tendência para se comunicar, o "Soberano Bem" não pode de forma alguma resplandecer para ele mesmo e em sua Essência e, em seguida — e consequentemente —, a partir dele mesmo e fora dele; sendo Verdade, "Deus é Amor".
A resplandecência corresponde a Ananda, a Bem-aventurança ou a Bondade. Aliás, a resplandecência comporta o calor e a luz, assim como Ananda participa simultaneamente de Sat e de Chit, o calor correspondendo à Bondade e à Luz, à Beleza.
Mas o que significa, no Gênese, a ideia de que o conhecimento do Bem e do Mal é um privilégio de Deus? Significa que só Deus pode querer tudo o que Ele quer, porque só Deus é o Bem Soberano e, em consequência, Ele só pode querer o bem; apenas o Bem absoluto tem direito à Liberdade absoluta, somente Ele a possui, o que corresponde a dizer que Ele a possui por definição. Em que sentido o pecado do primeiro casal humano foi a usurpação de um privilégio divino? No sentido de que esse casal, ao comer o fruto proibido, agiu como se fosse o Bem Soberano, a quem se permite ontologicamente toda possibilidade; isto quer dizer que Adão e Eva atribuíram ao relativo os direitos do Absoluto. Positivamente, a árvore da ciência do Bem e do Mal (Árvore do Conhecimento é a Toda-Possibilidade na qualidade de Liberdade divina; negativa ou restritivamente ela é essa Possibilidade na medida em que, desdobrando-se na Existência, portanto para baixo, se quisermos, afasta-se inevitavelmente da Fonte divina.