VIDE: AGATHON; BELEZA; ÁRVORE DO CONHECIMENTO
CRISTOLOGIA
THEOLOGIA GERMANICA: O BEM E A ALMA
FILOSOFIA
Excertos resumidos de "Les Notions philosophiques". PUF, 1990.
A noção de Bem, que constituía um dos três transcendentais medievais, corresponde à avaliação de uma coisa ou de uma ação em função de sua conformidade a uma norma moral, de sua utilidade ou de sua desejabilidade. A problemática filosófica clássica da noção tem por função responder à questão de saber quais são os fins que deve ou pode se propor a ação humana.
Platão fazia da Ideia de Bem o princípio do mundo das Ideias, e por conseguinte a condição de toda vida intelectual e prática, assim como a fundação do Ser autêntico. Esta concepção foi criticada por Aristóteles:
- se se afirma do bem que ele é uno e comum a tudo ou que existe separado e subsistente por ele mesmo, é evidente que seria irrealizável para o homem e impossível a adquirir
- é embaraçoso precisar a utilidade que tiraria um tecelão ou um carpinteiro do conhecimento que tem deste bem em si ou em que medida a contemplação desta ideia facilitaria a prática da medicina ou da estratégia.
Para Aristóteles, o Bem comporta tantas categorias quanto o Ser (eis porque os medievais o consideram como uma noção transcendental). Como substância, o Bem Supremo se denomina Deus e inteligência; como qualidade, as virtudes; como quantidade, a justa medida; como relação, o útil; no tempo, a ocasião; no espaço, os diferentes costumes. A homonímia do Bem, contrariamente à homonímia verdadeira, não vem por acaso. Aristóteles sugere que se trata de uma analogia (por exemplo, a vista tem para o corpo o mesmo papel que a inteligência para a alma).
Aristóteles: ÉTICA A NICÔMACO, I, 1094 A 1-9, 18-24.)
Toda arte e toda investigação, e do mesmo modo toda ação e escolha, parecem tender a algum bem; por isto se disse com razão que o bem é aquilo para ó que todas as coisas tendem. No entanto, parece haver alguma diferença entre os fins, pois uns são atividades e outros, à parte destas, algumas obras. Nos casos em que há alguns fins à parte das ações, são, naturalmente, preferíveis as obras às atividades. Mas como há muitas ações, artes e ciências, muitos também são os fins: com efeito, o da medicina é a saúde; o da construção naval, o navio; o da estratégia, a vitória; o da economia, a riqueza. (...)
Mas se existe algum fim de nossos atos que queiramos por ele mesmo e as demais coisas por ele, e não escolhemos todas as coisas por outra diversa (pois assim se seguiria até o infinito, de sorte que o desejo seria vazio e vão), é evidente que esse fim será o bom e o melhor. E sendo assim, não terá seu conhecimento grande influência sobre nossa vida, e, como flecheiros que têm um alvo, não alcançaremos melhor o nosso? (...)
PERENIALISTAS
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