Skip to main content
id da página: 5078 Hadewijch Beguinas

Hadewijch Beguinas

Mulheres Visionárias — Hadewijch II — Poemas

Hadewijch II e as beguinas

Excertos de seleção de Pierre Riffard, em seu livro "O Esoterismo", traduzido por Yara Azeredo Marino e Elisabete Abreu

Acima de tudo o que está escrito,
de tudo o que é criado, o espírito
pode apreender e ver claramente,
seguindo de perto o caminho de Nosso Senhor.

Se conhecimento vos faltar,
devei buscá-lo no interior;
em vossa simplicidade achareis
o claro espelho sempre pronto.

Felizes aqueles que têm
a nua visão sem intermédio:
podem, só com o olhar,
receber a vivificação,

e lançar-se ao objetivo divino
buscando o único bem vital,
só para Ele tudo deixar,
até que O tenha sem O perder.

O coração que possui essa luz
sofre demais
se experimenta o peso do pecado.

Ele permanece despojado e miserável
até que, conforme sua consciência,
seja satisfeito,

e encontre sua liberdade
apenas pelo testemunho interior,
mostrando-lhe que a sua dívida
quanto ao amor está totalmente paga.

É preciso que desejeis
e ameis sem ser pelos sentidos;
exterior e interiormente,
que permaneçais sem conhecimento, como uma morta.

Ouvi o que ordena o amor:
não vos inquiete o humano afeto.
O amor encobre e protege
aquele que ele conduz,
como as asas dos serafins.

Depois de saborear
a libação da divindade
é preciso fundir e transformar
o que para sempre
deseja no lar da bela Deidade ancorar. (...)

Novos poemas de uma beguina flamenga, III, trad. do médio-neerlandês: Fr. J.-B.P. in Hadewijch d'Anvers, Écrits mystiques, Éd. du Seuil, col. La Vigne du Carmel, 1954, p. 150-151