Marcelle Senard:
Antes da Criação, dizem os textos vedantinos, não havia nada senão Brahman, o Ser Puro, o não-manifestado, o indiferenciado, Maha Bindu, o Ponto Supremo, Energia-Consciência-Potencialidade. Afim de nos dar uma ideia do Primeiro Princípio, porque nossas faculdades imperfeitas não nos permitem conceber adequadamente a Realidade em Si, este Ponto pode ser comparado ao ponto metafísico sem grandeza nem posição. Do Ponto Supremo, é dito que «é a Fonte de todas as direções da Criação».
Este Ponto pode ser assimilado ao Centro do Zodíaco, de onde emanam estes doze raios em direção dos doze signos.
Ele pode ser comparado ao Vazio do Veda (SHUNYA) «que não tem nenhuma forma enquanto não é cercado pela Maya»; ou ainda ao Nada de Boehme. A respeito da Santa Ceia, ele diz nas Quarenta Questões sobre a Alma:
A magia cria a substância, pois no Nada eterno não há nada, mas a magia cria aí onde não há nada.
É também a este Ponto que faz alusão a passagem seguinte do Mistério da Cruz, obra mística protestante do século XVIII:
e ainda:
O Ponto é portanto o Centro de onde emanam e onde chegam todas as coisas no mundo do manifestado e do não-manifestado. Eis porque no Vedanta ele é assemelhado, enquanto BINDU, ao Senhor ou Princípio Supremo.