VIDE: HARMONIA; JADE; MOVIMENTO; ORDEM; PAZ
René Guénon: Segundo o estudo do pensamento de René Guénon, de Jean-Marc Vicenza, «Dictionnaire de René Guénon»:
O Equilíbrio é, segundo René Guénon, "uma imagem da Unidade primordial no manifestado". Todavia este verdadeiro Equilíbrio, não se encontra senão no centro da Cruz, aí onde todas as oposições estão resolvidas, aí onde pode se efetuar a autêntica harmonia das contradições. Este ponto central, que o esoterismo islâmico chama el-maqamul-ilahi, huwa maqam ijtma ed-diddain, quer dizer a "estação divina que reúne contrastes e antinomias", é o Centro de onde tem sua fonte toda atividade e onde ela aí retorna inexoravelmente. Este lugar de perfeito Equilíbrio está em relação estreita, segundo Guénon, com a "independência daquele que, destacado de todas coisas contingentes, alcançou ao conhecimento da verdade imutável", confirmando assim a palavra do Evangelho: "Buscai primeiro o Reino de Deus e sua justiça, e todo o resto vos será dado por acréscimo". (Mt VII, 33; Lc, XII, 31 BUSCAI PRIMEIRO O REINO DE DEUS). Esta frase dos Evangelhos, nos diz Guénon, deve ser considerada como uma maneira, sob a forma de uma sentença que testemunha a princípio de uma grande sabedoria, de sublinhar a relação estreita existente entre a Justiça e o Equilíbrio. Por seu lado, a tradição extremo-oriental nomeia o lugar do Equilíbrio perfeito o "Invariável Meio" ou seja o centro da Roda Cósmica, aí onde se reflete a "Atividade do Céu". Este "Invariável Meio", sendo sempre isento de toda variação, se encontra situado além do Vazio e do Não-Vazio, eternamente não afetado, imutável.
A respeito deste aspecto de superação do vazio, Guénon reafirma em seu estudo intitulado "OS PRINCÍPIOS DO CÁLCULO INFINITESIMAL", o caráter metafísico verdadeiro do Equilíbrio, sublinhando brilhantemente que não era identificável ao zero, percebido de maneira errada como um Nada, mas bem ao contrário à unidade enquanto harmonia dos opostos. Longe de ser o estado de não-existência, escreve ele, o Equilíbrio é ao contrário a existência visualizada nela mesma", o Equilíbrio logo não é um estado de ausência, ele é a "pura presença", o reflexo em cada ser da "Atividade do Céu".
- SIMBOLISMO DA CRUZ
- VII, "A RESOLUÇÃO DAS OPOSIÇÕES"
- VIII, A GUERRA E A PAZ;
- XXIII, "SIGNIFICAÇÃO DO EIXO VERTICAL"
- O REINO DA QUANTIDADE E OS SINAIS DOS TEMPOS
- XXI, "CAIM E ABEL"
- OS PRINCÍPIOS DO CÁLCULO INFINITESIMAL
- XVII, "REPRESENTAÇÃO DO EQUILÍBRIO DAS FORÇAS"