VIDE: Tronos, Dominações, Virtudes
Dionísio o Areopagita: Hierarquia Celestial
Philippe Faure: Les Anges
| Manifestação | Conhecimento e Funções gerais | Dionísio o Areopagita | Gregório Magno |
| Primeira ordem, participa na transcendência divina e inicia a segunda ordem | Serafins Querubins Tronos | Serafins Querubins Tronos | |
| Mundo do Espírito Intelecto | Contemplação — receptividade Mergulhado na natureza divina, iluminações e ardores de sabedoria e de ciência | ||
| Segunda ordem, recebe a luz divina, anima e ordena o mundo, o reveste de beleza | Dominações Virtudes Potestades | Domínios Principados Potestades | |
| Mundo da Alma ou Mundo Interior | Combate e vitória definitiva contra os demônios Tensão, afirmação, elevação espiritual Amor universal | ||
| Terceira ordem, agente da economia divina a respeito da Humanidade | Principados — Arcontes Arcanjos Anjos | Virtudes Arcanjos Anjos | |
| Mundo material ou exterior | Revelação dos mistérios divinos. Mensageiros maiores e menores, intérpretes, guardiões das coletividades e dos indivíduos. Conformidade à vontade divina em todas coisas. | ||
A hierarquia dos anjos é considerada por Sohrawardi em termos de duas ordens, as longitudinais e as latitudinais. Localizados no topo da ordem longitudinal estão os arcanjos, o mais alto dos quais é chamado de Bahman (o Vohúmen Mazdeano) e também de a Luz Maior (Al-nur Al-azam), ou a Luz Mais Próxima (Al-nur Al-aqrab). Este arcanjo supremo traz ao ser o arcanjo abaixo, que recebe a irradiação dele como também da Luz das luzes. Esta irradiação é transmitida, por sua vez, para o próximo nível abaixo, em linha reta até que a ordem vertical ou longitudinal, onde cada membro é chamado de luz vitorial (Al-nur Al-qahir), seja completada. Esta ordem é também chamada de o mundo das mães, uma vez que todas as coisas no Universo são geradas dela e seus membros são tais que cada arcanjo acima apresenta o aspecto de dominação (qahr) sobre o abaixo, e o abaixo, o aspecto de amor (mahabbah) para o de cima. E cada luz é um istmo, ou "purgatório" (barzakh), entre as duas luminosidades acima e abaixo. Ela age como um véu que simultaneamente, oculta e revela a luz da ordem mais alta - oculta por não transmitir sua intensidade completa e revela por permitir a passagem de um certo grau de efusão ou irradiação dela, de modo que o próximo membro mais abaixo da hierarquia venha a ser. [...] Finalmente, a ordem latitudinal de anjos ocasiona uma ordem angelical intermediária que age como seu vice-regente e reina diretamente acima das espécies. Os membros desta ordem intermediária são chamados de luzes regentes e às vezes de luzes senhoriais, sendo que este último nome refere-se especialmente àqueles anjos que governam a alma humana. Estes anjos movem os céus através do amor e protegem todas as criaturas da Terra, dos minerais e plantas aos animais e homens. [S.H. Nasr 1964. Three Muslim Sages. Caravan. Tr. Instituto Nokhooja]
Entretanto numa acepção mais ampla, Anjos são todos os seres espirituais criados por Deus, conforme a Definição Dogmática do IV Concílio de Latrão, do Concílio de Trento e de tantas afirmações já referidas no capítulo sobre "A Fé na Existência dos Anjos."
Embora não haja qualquer dúvida para os católicos quanto a isso, é interessante mostrar, como a exegese e a devoção aos Anjos, fizeram com que escritores e teólogos elaborassem uma como que "classificação" dos Anjos, segundo a missão para a qual Deus os destinou.
Nessa classificação, que corresponde a uma divisão em categorias, há contudo um fundamento teológico, baseado nas referências diretas às mesmas, constantes das Escrituras, e em ilações que decorrem da interpretação de trechos dos textos e das conclusões tiradas das comparações entre referências diversas sobre o mesmo assunto.
Costuma-se dividir os Anjos em nove coros. Esse número de nove coros angélicos apareceu no século IV no Oriente, mencionado por S. Cirilo de Jerusalém (Catechesis Mystogógica, V, 6) e por S. João Crisóstomo (Horn. Gen. IV, 5).
No Ocidente, Santo Ambrósio de Milão (Apologia Proph. David 5,20), também se referiu a nove coros. Essa doutrina tornou-se comum desde o tempo de S. Gregório Magno (Horn. Ev. XXXIV,7; Moral libri XXX, 48; Ep. V, 54).
Foi entretanto Dionísio o Areopagita ou Pseudo-Dionísio quem, no Tratado "De Coelesti hierarchia", apresentou uma classificação dos Espíritos Celestes subdividindo-os em nove coros pertencentes a três hierarquias ou ordens. A tradução da obra de Dionísio foi feita por Scoto Eriugena no século IX e teve ampla divulgação.
A forma admirável como foi elaborada a classificação, mereceu a aceitação por parte de S. Gregório Magno e constituiu para muitos, tema interessante de especulação.
Santo Tomás, na Suma Teológica no Tratado do Governo do Mundo, Questão CVI1I art. I e III, refere se à classificação de Dionísio. São Boaventura, baseado na mesma, desenvolve considerações sobre as funções de cada coro.
Santo Tomás, na Questão CVIII, trata amplamente da "Ordenação dos Anjos por hierarquias e ordens", desenvolvendo e explicando as razões pelas quais Dionísio estabelecera sua classificação.
Vejamos a hierarquia Celeste, na escala ascendente, como foi proposta por Dionísio:
1a hierarquia ou 1a ordem
1o coro ........ Anjos
2o coro ........ Arcanjos
3o coro ........ Principados
2a hierarquia ou 2a ordem
4o coro ........ Potestades
5o coro ........ Virtudes
6o coro ........ Dominações
3a hierarquia ou 3a ordem
7o coro ........ Tronos
8o coro ........ Querubins
9o coro ........ Serafins
Dionísio admitiu que é o "grau de conhecimento" que os Anjos têm de Deus, que lhes confere a posição que ocupam na hierarquia celeste.
Esse conhecimento angélico é uma participação da Sabedoria Divina, uma fulguração intelectual luminosa conhecida como iluminação.
Essa participação, ainda segundo Dionísio, é imediata nas hierarquias ou categorias primeiras de Anjos e chega às menores pela mediação das superiores ou intermediárias. Baixando de hierarquia em hierarquia, de coro em coro, passa finalmente dos Anjos aos homens. Este movimento descendente de grau de conhecimento de Deus, traz consigo um outro ascendente de louvor a Deus, que vai num crescendo, desde os primeiros coros até o coro mais elevado, que é o dos Serafins.
Dionísio considerava o aperfeiçoamento espiritual dos homens, realizando-se por uma progressão seguindo três estágios de vida espiritual: a purificativa, a iluminativa e a de união com Deus. Estendeu este postulado de sua ascética e mística ao caso dos Anjos, afirmando embora sem argumentos concludentes, que os coros mais baixos (no caso Anjos) podem elevar-se até os primeiros, por um processo semelhante ao da purificação, iluminação e união. Assim, os coros inferiores receberiam dos superiores uma participação de sua perfeição para atingirem coros cada vez mais elevados. (De Coeleste hierarquia 3-6).
São João Damasceno ("De fide orthodoxus" 2,3,ss), acompanha o ensinamento de Dionísio, o que explica a convicção firme da Igreja Grega na existência dos coros angélicos, o que foi reforçado em parte, pelo Segundo Concílio de Constantinopla. [Archibald Joseph Macintyre: Os Anjos, uma Realidade Admirável. Edições Louva-a-Deus, 1986.]
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