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Primais

ASTRONOESIS — PRIMAIS


VIDE: NÃO-MANIFESTAÇÃO

DAMIANI, Anthony. Astronoesis: philosophy’s empirical context : astrology’s transcedental ground. New York: Larson Publications, 2016

Na sabedoria filosófica superior revelada à alma intelectual individual de Plotino, há o conhecimento do reino dos três primados, e algo de — uma revelação de — a santa quietude do Uno. Este nada sem limite derradeiro, a única instância de perfeição, está além da autenticidade do princípio do Ser. Este Uno-sem-segundo, que na sua simplicidade é sinônimo de um oceano de possibilidades atonalmente, integralmente perfeito, é abordado por Plotino de muitos diferentes pontos de vista; mas se enfatiza sempre que estes aspectos indivisíveis do Absoluto são na realidade ilusórios apenas “no” Uno em si. Parece que algo sobre a interioridade deste Simples é revelado a Plotino, pois se fala da perfeição interna do Uno e se o define e separa em pensamento do Princípio-Intelectual e da Alma.


Mesmo que se encare os três primais como formando um todo integral, o qual é frequentemente referido como o Absoluto quando considerado do lado da manifestação, as distinções não podem ser dissolvidas de modo que o Nous e a Alma, tão cuidadosamente definidos, se tornem princípios ilusórios. Na compreensão do Infinito metafísico, retém-se a visão do Uno como a pura e única realidade perfeita, bem como a visão de emanações reais e distintas a partir Dele. Não se viola a soberania do Uno concedendo a cada um dos outros níveis de realidade o seu *status* apropriado; eles não se tornam nulos e vazios em face do Uno que eternamente contemplam.


Citando Platão como sua fonte, Plotino (Enéada V.1.8; Enéada V.1.9; Enéada V.1.10) se refere ao UNO, NOUS e ALMA como «Primais».


A partir desta afirmação é possível simbolizar o UNO por um círculo com quatro quadrantes, dando início a construção da Eckhart Sermon 65. O primeiro quadrante representa o UNO; o segundo o Princípio Intelectual; o terceiro a Alma; e o quarto a Natureza, ou manifestação Universal em sua totalidade — ou seja, o Corpo de Deus com uma Unidade, Ser, Alma e Cosmo Visível.

Tomando por base Enéada V.1.10 Anthony sugere que os três princípios não-manifestados de Unidade, Princípio Intelectual e Alma que existem por si próprios, podem também ser aplicados ao quarto quadrante, resultando numa imagem do cosmo que ela mesma contém unidade, intelecto, alma e corpo.


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Este esquema ilustra nossa perspectiva dupla. Podemos olhar todo o círculo como um símbolo do UNO ele mesmo — «todo e todas as coisas» incluídas. Ou, podemos olhar às divisões dentro do círculo como aqueles princípios que emanam do UNO. Estes dois pontos de vista estão simultaneamente no diagrama.

A ilustração pode também ter a forma mais dinâmica de quatro círculos concêntricos: o círculo mais central irradiando o círculo representando o Princípio Intelectual, em seguida a Alma e finalmente a Natureza (Enéada IV.3.17).

Anthony usa o dinamismo do círculo tanto emanando do ponto central (como UNO) como concentrando desde o espaço infinito. A primeira imagem sugere o ponto de vista da emanação dos princípios desde o UNO. Revertendo a ordem, o pano de fundo sugere a onipresença do UNO e os outros princípios são vistos como círculos sucessivos aninhados dentro do UNO. Como Plotino observa em Enéada V.5.9.

Os Primais ou primeiras categorias (*genera* do Ser) são ditos ser, na Enéada v.1.4, Princípio-Intelectual, Existência ou Ser-em-si (*Isness*), Diferença, Identidade, Movimento e Repouso (ou Permanência). Destes seis, pode-se tomar o Princípio-Intelectual como sendo as próprias Ideias ou formas, e os restantes são então os cinco *genera* que Plotino descreve mais plenamente na Enéada vi.2.


Após a discussão da relação do Uno com o Princípio Intelectual, podemos agora examinar a relação do Ente Princípio Intelectual com a aparência sensível. Plotino fala de todos os três primais sendo aplicados ao sistema da Natureza, ou manifestação universal.


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