Forma e substância nas religiões
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A definição da dialética espiritual como a capacidade de expressar, em linguagem humana, realidades que transcendem a experiência terrestre e a psicologia ordinária.
- A distinção entre a dialética como lógica e como adequação verbal, ambas exigindo princípios e experiência.
- A possibilidade de um sábio possuir elevado conhecimento espiritual, mas carecer da arte de se expressar, devido a hábitos mentais de seu entorno.
- A aceitação, por parte de metafísicos tradicionais, de improvisações teológicas na expressão de sua ciência infusa, sem que seu conhecimento esteja solidário a esse quadro.
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A caracterização das religiões semíticas abraâmicas como dons celestes históricos, adaptados para converter e integrar coletividades.
- A necessidade de apelar a fatores volitivos e emotivos para impor-se a coletividades totais, em detrimento da intelecção pura e de uma dialética nuanceada.
- A posterior necessidade do helenismo para uma expressão intelectual mais explícita e para favorecer o desabrochar da própria intelecção.
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As razões para expressões intelectualmente insuficientes em figuras santas.
- A limitação intelectual ou doutrinal.
- A insuficiência instrumental ou falta de capacidade dialética.
- A intenção moralizadora ou a função de redresseamento e reequilíbrio perante uma coletividade religiosa em degeneração.
- A natureza sacrificial da extravagância ascética do santo, que carrega os pecados da sociedade através do bom exemplo excessivo.
- Os efeitos inevitáveis da pressão do meio na espiritualidade e na dialética metafísica.
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A relação entre inteligência, fé e virtude nas religiões.
- A primazia da fé, virtude e atos sobre a inteligência, dado que a salvação é universal e a inteligência, por si só, não salva.
- A inteligência só tem valor efetivo com o conteúdo das verdades salvíficas fundamentais e deve estar em equilíbrio com a virtude e a fé.
- A fé como a qualidade que traduz em atos, com amor e vontade, a aceitação do verdadeiro, engajando todo o ser.
- A fé e a virtude conferem pureza e acuidade à inteligência, enquanto o puro Intelecto possui, em sua substância, as potências da fé e da virtude.
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A análise da corruptibilidade da inteligência e da equação voluntarista entre inteligência e orgulho.
- A distinção entre a inteligência em si (que engloba fé e virtude) e a inteligência como se apresenta na maioria dos casos: uma capacidade de coordenação oferecida ao mundo e recusada a Deus.
- A comparação inexata entre inteligência desviada e virtude corrompida, pois a primeira permanece sendo inteligência, enquanto a segunda deixa de ser virtude.
- A distinção fundamental entre intelecção e raciocínio, sendo possível um raciocínio engenhoso na ausência da intelecção ou de dados adequados.
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A legitimidade de expressões dialeticamente fracas em portadores de pura intelecção.
- A pura intelecção pode expressar-se de forma ingênua ou com lógica fraca, sem deixar de ser inteligência de modo mais fundamental que uma racionalidade meramente virtuosa.
- A aceitação de que teólogos e místicos possam raciocinar mal, sem que isso os tire do âmbito da verdade salvífica.
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O exemplo da convicção voluntarista de ser «o maior pecador do mundo».
- A absurdidade lógica flagrante da fórmula.
- A interpretação da intenção plausível: num contexto de individualismo voluntarista, um drama sentimental de aniquilamento substitui a consciência do nada ontológico.
- A eficácia histórica da estratégia piedosa versus sua ineficácia atual, devido ao desenvolvimento de um senso crítico mínimo nas pessoas.
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A doutrina teológica islâmica da causalidade exclusiva de Deus e a negação das causas segundas.
- A interpretação de «Deus faz o que quer» e «Ele não tem associado» como negação do encadeamento necessário das fases temporais e das causas horizontais.
- A visão do tempo como reversível e das causas físicas como aparentes, sustentadas por atos criadores divinos sempre renovados.
- A base desta doutrina na consideração exclusiva dos «raios verticais» em detrimento dos «círculos concêntricos» da causalidade horizontal.
- A capacidade exclusiva da metafísica pura de conciliar as dimensões vertical e horizontal da causalidade.
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A identificação da sabedoria com atitudes morais no Sufismo médio.
- A equiparação problemática da gnose com virtudes como a esmola e a pobreza.
- O raciocínio de que o desprendimento, imposto por medidas ascéticas, pode provocar a compreensão da ilusão universal, obscurecendo a primazia metafísica do Conhecimento.
- A distinção entre o esoterismo propriamente dito (que começa com conceitos superiores) e um «pre-esoterismo» ou exoterismo ascético e excessivo.
- A função preparatória e disciplinar do «pre-esoterismo», submetendo o homem a provas morais antes de lhe confiar uma verdade superior.
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A análise da hagiografia islâmica como exemplo da «margem humana» nos sistemas tradicionais.
- O caráter frequentemente ilegível das lendas, devido a exageros e platitudes, para quem busca uma imagem concreta e verossímil dos santos.
- A função do simbolismo incisivo, voltado para as tendências pecaminosas do leitor médio, mas que pode se tornar ininteligível fora de seu setor psicológico.
- A transmissão de virtudes cruciais (sinceridade, pobreza, generosidade) através de imagens inviáveis, cuja intenção espiritual é compreendida pelo leitor oriental.
- A estilização dos fatos para destilar o conteúdo espiritual como uma quintessência, priorizando a realidade espiritual sobre a exatidão factual.
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A explicação para a aparente platitude e excesso na hagiografia.
- A necessidade histórica de insistir, de forma exagerada e incisiva, em atitudes corretivas (pobreza, generosidade, paciência) em um meio ávido e ambicioso.
- A preferência islâmica pelo risco da platitude e do infantilismo sobre o risco do titanismo filosófico e cultural.
- A manutenção dos homens numa «infância bíblica» com sentido escatológico do tempo.
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A legitimidade da linguagem concreta e simbólica dos Profetas.
- A citação de Ibn Arabi: os Profetas usam linguagem concreta para a coletividade, confiando na compreensão do sábio.
- O fato histórico como signo no linguagem divino, onde a significação pode ser mais real e importante que o fato em si.
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O paradoxo da apresentação da grandeza dos santos através de incidentes anódinos e virtudes elementares.
- A consequência do postulado islâmico da única Grandeza divina e do nivelamento humano na impotência.
- A prova real da grandeza dos santos na persistência radiante de sua influência e de seu culto, apesar da hagiografia moralizante.
- A influência da ideia da «ciúme divino» e da humildade coletiva, levando a uma grandeza espiritual implícita.
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O princípio moral da sinceridade como valor decisivo e único.
- A crença de que a sinceridade da fé na Unidade é a única virtude, heroísmo e santidade.
- As três dimensões de desdobramento da sinceridade: pelo temor (escrúpulo), pelo amor (generosidade) e pelo conhecimento (monismo metafísico).
- As duas primeiras dimensões como determinantes das exagerações didáticas na hagiografia.
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O aspecto contingente das tradições que obscurecem o Cristianismo.
- A função periférica de uma «bruma protetora» em torno da mensagem positiva de uma religião, face a outras mensagens.
- A interpretação deste fenômeno como parte da «margem humana» em instituições divinas.
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A tendência do pensamento oriental pela associação de ideias sugestiva sobre a lógica factual.
- O «sincerismo» religioso e a impulsividade inspiracional do escritor muçulmano médio, levando a produções negligenciadas.
- A tolerância oriental ante as fraquezas humanas, baseada no princípio da pequenez humana e da primazia da intenção moral.
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O princípio da dissonância ou absurdidade necessária nas religiões.
- A necessidade de um elemento de ininteligibilidade para que o mundo seja mundo.
- A fonte primária das dissonâncias na emotividade invasora, que perturba a reflexão e gera fanatismo.
- A incapacidade psicológica média do homem de acumular uma dada ideia com dados complementares e corretivos.
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A equívoca natureza da inteligência e a tolerância religiosa da ininteligência.
- A inteligência só é boa pela verdade, o que permite a paradoxal compensação de se preferir uma ininteligência «angelical» a uma inteligência «satânica».
- A opção religiosa por opor ao orgulho intelectualista, primeiro, o entendimento puro e calmo (a norma), e, na falta desta, a piedosa estupidez (o menor mal).
- A verdade, mesmo pobremente recebida, prima sobre a inteligência aberrante, mesmo brilhante, pois uma inteligência privada de verdade está alienada de sua própria natureza.
C. del Tilo: Excertos de LA PUERTA
Toda tradición autentica tiene dos aspectos y la hebrea no constituye una excepción:
1. El primer aspecto es la tradición escrita, constituida por el libro sagrado, el texto mismo con sus letras; según dicen los hebreos, la Tora (o los cinco libros de Moisés) se componía originariamente de una sucesión de consonantes sin vocalización, ni division por capítulos. Es la Palabra muda, sin pronunciar, encerrada en la letra, como una piedra seca, es el "Libro cerrado".
2. El otró aspecto es la tradición oral: el "Libro abierto". Las vocales que se unen con las consonantes, permitiendo la pronunciación, son como el espíritu que viene a vivificar el texto.
Este aspecto de la tradición se compone de los comentários orales de los Maestros que, suce-sivamente en la historia, han ido experimentando la Verdad del Libro (una vez consignados por escrito, estos comentários vuelven a ser, en cierto modo, la tradición escrita).
Los hebreos llaman a estos Maestros de la Palabra: los "Maestros de la boca" (v. Mestres da Verdade). Es la tradición viva encarnada. Sólo ellos, los cabalistas, pueden comentar válidamente la Escritura, pues han encontrado de nuevo su verdadero "Sentido" y lo pueden transmitir. Es la palabra regenerada y regeneradora.
Cuando se interrumpe esta transmisión, la tradición en su forma oral desaparece, volviendo a ocultarse en la letra, en las imágenes y los ritos; ya no hay entonces nadie para explicaria a los hombres. Estos dos aspectos de la tradición no deben ser nunca separados.
Asi pues, todos los verdaderos Maestros de la Tradición Oral son Cabalistas.
Abraham Ibn Ezra, en su introducción a la Tora escribe que el origen de la Tora escrita, es decir, del texto escrito por Moisés, es la Tradición oral. Esta pues, la Cábala oral, es anterior a Moisés y procede de los Patriarcas.
El libro del Génesis nos cuenta que "Abraham fue el primero que la recibió directamente de Dios" (pero según la Tradición, se remonta hasta la época de Adán y su hijo Set).
Así se hizo la Alianza entre Dios y Abraham: oralmente, no a través de un escrito.
Los Maestros explican que El Santo Bendito Sea (la apelación habitual que los rabinos dan a Dios), sabia que el pueblo judio tendría que marchar al exilio entre las naciones, y que querrían traducir su libro sagrado. Por ello no fundó su alianza sobre un escrito, sino sobre una Palabra. Y en efecto, las naciones han traducido los libros judios, pero sin poseer esta Tora oral y en consecuencia, sin poseer el sentido real. De este modo, los que poseen esta Palabra la transmiten oralmente y son considerados descendientes de Abraham.
- A Tradição e sua abordagem metódica (Abellio)
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