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Mystica

ESTADOS — MÍSTICA


VIDE: Ascetismo e Misticismo; mystika; Valente Molinos Mística; Faivre Mística


René Guénon: Apreciações sobre o esoterismo islâmico e o taoismo

...podemos decir que la «vía mística» y la «vía iniciática» son radicalmente incompatibles en razón de sus caracteres respectivos.
Agregaremos todavía que la iniciación, entendida en su verdadero sentido, no tiene y no podría tener nada de «mística»; es particularmente enojoso ver este equívoco perpetuarse a despecho de todas las explicaciones que hemos podido dar a este respecto...


VEJA TAMBÉM Via iniciática e via mística


Jean Borella: Borella Via Mística

No sentido primeiro, aquele da Grécia pagã, "mystikos" é um adjetivo que deriva do verbo mueo (= iniciar aos mistérios); logo significa "relativo aos mistérios", ou ainda, e literalmente "iniciático". Tais são os dados da filologia. Os escritores cristãos herdam esta tradição terminológica a modificando um pouco, aditando um conteúdo doutrinal que não tinha. Mas mesmo assim este sentido "cristão" se perde após o século XVII. O sentido primeiro mantinha que "místico" qualificava então seja o que é relativo ao mistério do Cristo, particularmente na Escritura, ou o que refere-se aos mistérios da liturgia e das realidades sacramentais.

Disto resulta que uma boa tradução de "mística" consistiria a torná-la precisamente por "esotérico", entendido evidentemente em seu sentido real e essencial, onde conjugam o espírito de interioridade e a interioridade do Espírito, e não em seu sentido formal e um pouco ocultante. Mas é dizer também que uma boa tradução de "esotérico" seria o termo "mística".


Ibn Arabi: Futuhat

Segundo Michel Chodkiewicz, a terceira seção desta obra monumental tem por tema os «estados espirituais». Como aquele de maqam, «estação» que dele é correlativo, o termo árabe hal pertence ao vocabulário clássico do sufismo, donde sua sua introdução como termo técnico por Dhu l-Nun al Misri, encontrando-se em todos os grandes tratados da literatura do tasawwuf. Ibn Arabi retém em refinando estas definições tradicionais que opõem o hal, «concedido» e instável ao maqam que é «adquirido» e estável, sustentando também que a natureza fundamentalmente impermanente de todo estado espiritual pode ser mascarada pela sucessão de estados apresentando uma certa similitude. Graça precária, o hal é também uma graça perigosa: «É o ignorante que diz: o santo é aquele que tem dois estados espirituais. Pois Deus confere o hal ora àqueles que Ele ama e ora àqueles que Ele não ama. Mas Ele não confere a ciência senão àqueles somente que Ele ama». Dito de outro modo: é o Conhecimento de Deus que é a meta da Via e não a obtenção de carismas fugazes que o autêntico santo (wali), longe de os procurar, duvida. «O perfeito, cada vez que sua estação se eleva, seu hal decresce».


Ruzbehan de Shiraz: Excertos de seu Léxico do Sufismo (Ruzbehan Tratado Espirito Santo)

O estado místico (hal) é produzido pelas luzes invisíveis emanadas do mundo invisível que alcançam o coração e o purificam instantaneamente. Trata-se de uma teofania espontânea do Ser divino caracterizada pelo desvelamento secreto do espírito, sem esforço de aquisição nem ponto de referência prévio.

Comentário: A definição de Ibn Arabi: O que cai no coração sem trabalho nem aquisição prévia...

Nossa definição: o estado místico é o efeito passageiro de uma atributo divino no coração. Sua perfeição é o investimento total da presença divina tomando posse do coração e da inteligência do sujeito.

Na perspectiva cristã, o estado místico corresponderia às efusões da graça quando ela se ampara dos "pastos do coração", para tomar uma expressão querida de Diadoco de Foticeia, um dos representantes do hesicasmo ortodoxo.


FESTUGIÈRE, A. J. Hermétisme et mystique païenne. Paris: Aubier-Montaigne, 1967.

Nas místicas consideradas mais adiante, mística do Ser, contemplação dos astros, união à Razão imanente ao cosmos, é um movimento de conhecimento que leva à adoração: colit qui nouit. As vias da negação, do êxtase (plotiniano) ou da analogia são todas, segundo seus próprios modos, métodos teoréticos de união a deus. Nas místicas da salvação, este processo é revertido. Como estes místicos se fundam sobre um sentimento pessimista das possibilidades do intelecto humano, não é possível o conhecimento intelectual conduzir à união divina, a gnosis neou deriva ao contrário da experiência religiosa que toma frequentemente a forma de uma visão. Deixou-se o plano da sabedoria filosófica. Conhecer Deus é doravante affaire de iniciação, de teurgia ou de magia: nouit qui colit.