VIDE: Possibilidades, Potentia Oboedientialis, Absoluto, Compossível, Criação, Água, Ser, Impossibilidade, Infinito, Não-Ser, Princípio, Realidade Suprema, Real, Reencarnação, Todo, Zero Metafísico
René Guénon: Dictionnaire de René Guénon
A Possibilidade, em sua universalidade, não conhece nenhuma limitação, ela é mesmo para o que é de sua natureza própria, fora, além de todas as formas de determinação, "incluindo a determinação a mais primordial de todas, queremos dizer a afirmação do Ser puro". Logo a possibilidade universal é ilimitada, seu domínio não possui fronteiras e ela se estende de tal modo seu agir sobre o conjunto o mais vasto que se possa conceber, pois este nada mais é que a "Totalidade", o "Todo"; eis porque a princípio ela é denominada precisamente: Possibilidade universal que é equivalente ao Infinito ele mesmo. Falar de Possibilidade do ponto de vista metafísico, é em realidade fazer apelo a duas maneiras pelas quais ela desenvolve seu poder, maneira não distintas mas no entanto suficientemente particulares para que se indique imediatamente os caracteres respectivos. Com efeito, a Possibilidade enquanto tal concerne ou engloba toda ordem dos "possíveis", quer dizer as possibilidades de manifestação e as possibilidades de não manifestação. Notar-se-á preliminarmente, antes de explicar estes dois aspectos da Possibilidade, que esta última na medida que ela ignora toda limitação não pode fazer surgir duas possibilidades idênticas no Universo, sob pena de se ver submetida a um limite que não pode se conceber a seu respeito. Guénon o lembra regularmente, "toda limitação da Possibilidade universal é, no sentido próprio e rigoroso da palavra, uma impossibilidade". Com efeito a Possibilidade total, se ela devesse ser limitada, seria obrigada a sê-lo por uma outra Possibilidade que a incluiria para poder limitá-la, o que é uma contradição pura e simples, quer dizer ao nível da lógica uma verdadeira impossibilidade. Como não pode haver vários infinitos, só há uma Possibilidade que é ela mesma infinita e ilimitada, "querer a conceber de outro modo é, em realidade" se condenar a não concebê-la de modo algum". Isto bem compreendido, é permitido abordar o modo específico de esplendor da Possibilidade que, por conta de seu infinto potencial, enquanto Passividade universal, representa um poder existencial extraordinariamente vasto e cuja amplitude não pode ser objeto de uma medida qualquer à escala humana como supra-humana pois, como o sabemos, a Possibilidade está além de toda medida. Se as possibilidade do ser, inicialmente, não constituem senão um caos "informe e vazio" (tohu-va-bohu), não decorre menos que é este Caos primeiro, "no qual tudo só é obscuridade", que permite a geração, a emergência no manifestado, no momento "onde se produz esta iluminação que determina a organização harmônica na passagem da potência ao ato". A Possibilidade dá, ou oferece, ao "Raio Celeste" a matéria primeira, a materia prima virtual que será iluminada pela "vibração correspondente ao Fiat Luz cosmog6onico", iluminação a partir da qual "a ordem sucede ao caos, a luz às trevas, o ato à potência, a realidade à virtualidade (...)". A este respeito, concebe-se muito melhor porque é positivamente absurdo separar o possível do real, como certas mentes creram justificado dever afirmar, um pouco rapidamente sem dúvida por uma falta significativa de compreensão metafísica, pois "todo possível é real a sua maneira e segundo o modo que comporta sua natureza; dito de outro modo, escreve Guénon, haveria possíveis que nada seriam, e dizer que um possível é nada é uma contradição pura e simples". O real não é uma ordem diferente do possível, ele é mesmo uma ordem altamente representativa e concreta para o que é da Manifestação presente. Só o impossível é um nada, mas toda realidade, do momento que ela é, que ela está inscrita no Ser, está inclusa na possibilidade sob pena de não ser. Quanto às possibilidades de não-manifestação, que elas sejam de diversas ordens, ou bem que se encontrem evidentemente situadas além do Ser, elas não inferem em nada sobre a Possibilidade que abarca, como Guénon aí insiste a justo título, absolutamente todas as ordens sem limitação alguma.
Pode-se portanto lembrar, para concluir, o que a metafísica integral não cessa de reafirmar, sublinhando que isto está expresso certamente de diversas maneiras em razão das circunstâncias e das contingências inevitáveis, mas sempre de maneira invariável: todas as possibilidade estão contidas na Possibilidade total, que ela mesma não faz senão um com o Princípio.
Ananda Coomaraswamy: PERSONA
Se verá que las potencialidades sin realizar son la ocasión de la incorporación y aparente esclavitud del Sí mismo; cuando Prajapati ha entrado en sus hijos tiernamente, no puede liberarse sin su ayuda (Taittiriya Samhita V.5.2.1; Satapatha Brahmana I.6.3.35, 36) —una concepción con esta implicación profunda, que «nuestra» liberación es también y más verdaderamente su liberación. Con el estado del «pájaro en la red, o jaula», auto-encadenado por sus propios deseos (Maitri Upanishad III.2, Samyutta Nikaya I.44; Fedón 83a; Mathnawi 1.1541), ha de contrastarse la libertad del Sí mismo «cuyos fines han sido alcanzados» (krtarthah, Svetasvatara Upanishad II. 14) —este es el estado del Marut, Brhadratha, que, «habiendo hecho lo que tenía que hacerse» (krtakrtyah, Maitri Upanishad VI.30, Aitareya Aranyaka II.5; equivalente a karma krtva en Taittiriya Samhita I.8.3.1, y a katakaraniyam en la fórmula Arhant budista), «vuelve a casa» (astam praiti, Taittiriya Samhita I.8.3.1); el estado de quien todos los deseos han sido alcanzados, que no tiene ningún deseo (akamah) y que es auto-suficiente (Brhadaranyaka Upanishad IV.4.6.7, IV.3.21, etc.); para quien ya no hay ningún fin que haya de alcanzarse por la acción (naiva tasya krtenarthah, Bhagavad Gita III.18) y que puede decir, «no hay nada que yo necesite hacer» (Bhagavad Gita III.22); y que está así liberado de toda necessitas coactionis, conditionata, ex fine.
En todos estos contextos el «trabajo que ha de hacerse» (krtya, karya, karaniya) es siempre, por supuesto, en algún sentido sacrificial (karma kr = operare = sacra facere).
Frithjof Schuon:
Resumamos: as possibilidades são os véus que, por um lado, restringem o Real absoluto e, por outro, o manifestam. A Possibilidade simplesmente, no singular e no sentido absoluto, é o Véu supremo, o que envolve o mistério da Unicidade e, ao mesmo tempo, o desdobra, permanecendo imutável e sem se privar de nada; a Possibilidade não é outra coisa senão a Infinitude do Real. Quem diz Infinitude, diz Potencialidade; e afirmar que simplesmente a Possibilidade, ou a Potencialidade, ao mesmo tempo vela e desvela o Absoluto é apenas uma maneira de expressar a bidimensionalidade — diferenciada em si — que podemos discernir analiticamente no absolutamente Real. Da mesma forma, podemos discernir aí uma tridimensionalidade, também intrinsecamente indiferenciada, mas anunciadora de um possível desdobramento: essas dimensões são o "Ser" (sat, a "Consciência" (chit) e a "Felicidade" (ananda). É em virtude do terceiro elemento — imutável em si — que a Possibilidade divina extravasa e dá margem, "por amor", a esse mistério de exteriorização que é o Véu universal, cuja cadeia é feita dos mundos e cuja trama é feita dos seres.