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id da página: 10147 JEAN RICHER AS ARMAS ESPIRITUAIS E AS ASSINATURAS PLANETÁRIAS DAS VIRTUDES E DOS VÍCIOS

Pedro Virtus Vitium


VIRTUDES E VÍCIOS NAS EPÍSTOLAS DE PEDRO

De maneira repetida, em suas Epístolas, São Paulo lembra suas relações com Cefas (São Pedro). E a este respeito, é interessante de destacar, no início da Segunda Epístola de Pedro, uma lista de oito virtudes cardeais: a , a virtude, a ciência, a temperança, a paciência, a piedade, o amor fraternal, a caridade. A bem dizer esta lista faz pensar na lista tradicional dos pecados capitais e certos pares aparecendo por si mesmos (cólera-paciência e glutonia-temperança ou luxúria-temperança).

E por isso mesmo vós, empregando toda a diligência, acrescentai à vossa a virtude, e à virtude a ciência, e à ciência o autodomínio (enkrateia), e ao autodomínio a perseverança (hypomone), e à perseverança a piedade (eusebeia), e à piedade a fraternidade (philadelphia), e à fraternidade o amor. (2Pe 1:5-7)


E na Primeira Epístola de Pedro a noção de correspondência entre as virtudes e as partes do corpo é ao menos esboçada, quando o apóstolo diz: "Cingeis os rins de vosso entendimento" (I, Pedro, I, 13). Vimos que, em São Paulo, é a verdade que está em relação com os rins.

A ideia de agrupar as virtudes e os vícios seja por sete (os círculos planetários), seja por dez (número perfeito), seja por doze (as regiões do zodíaco) também se encontra em vários tratados do Corpus Hermeticum (vide Hermetismo).

Quanto aos insensatos, aos maus, aos viciosos, aos invejosos, aos cupidinosos, aos assassinos, aos ímpios, me mantenho longe deles, tendo cedido lugar ao demônio vingador..." (Hermes Trismegisto, Poimandres); Richer cita também o tratado XIII, que põe as virtudes e os vícios em relação com o círculo do zodíaco, sem dar correspondências precisas: ignorância, tristeza, incontinência, concupiscência, injustiça, cupidez, mentira, inveja, fraude, cólera, precipitação, maldade. Sobre os "anjos do microcosmo", Richer indica como referência o estudo de Henry Corbin, "A imaginação criadora no sufismo de Ibn Arabi".


Tem-se aí uma série característica de sete vícios.

o homem (...) lança-se para o alto através da armadura das esferas, e na primeira zona abandona a potência de crescer e decrescer, na segunda as indústrias da malícia perdem seu efeito, na terceira a ilusão do desejo fica sem efeito, na quarta a ostentação do comando é desmunida de suas miradas ambiciosas, na quinta a audácia ímpia e a temeridade presunçosa, na sexta os apetites ilícitos que dão riqueza, doravante sem efeito, na sétima zona a mentira que estende suas armadilhas (Corpus Hermeticum, T. I, trad. Nock e Festugière)


Uma nota dos tradutores precisa: "a ordem planetária seguida na ascensão sendo a ordem "caldaica", os vícios que a alma se despe correspondendo sucessivamente aos "temperamentos" da Lua, de Mercúrio, de Vênus, do Sol, de Marte, de Júpiter, de Saturno".

A iconografia do soldado de Cristo se complica ainda mais em uma série de referências escriturárias:

Porque a palavra de Deus é viva e eficaz, e mais cortante do que qualquer espada de dois gumes, e penetra até a divisão de alma e espírito, e de juntas e medulas, e é apta para discernir os pensamentos e intenções do coração. (Heb 4:12)


E lê-se no Apocalipse de São João:

Tinha ele na sua destra sete estrelas; e da sua boca saía uma aguda espada de dois gumes; e o seu rosto era como o sol, quando resplandece na sua força. (Apocalipse 1:16)