JUDAÍSMO
Yvan Amar: LES DIX COMMANDEMENTS INTÉRIEURS
Quantos nomes pronunciamos cada dia, quantas palavras?... Quem quer que tenha praticado um pouco de silêncio foi surpreendido frequentemente por descobrir não a qualidade do silêncio, mas o valor da palavra. Quantas palavras, quantos nomes, e qual qualidade de atenção, qual qualidade de vigilância, qual consciência nestas palavras?
Seu Nome, eu O pronuncio então com minha boca; eu enuncio, eu digo Seu Nome. São sempre as verdades mais evidentes que são cegantes. Sim, falamos todo tempo, todos os dias. E se, por trás deste Mandamento de respeitar Seu Nome, já não há: tomar em consideração como falamos?... Se Seu Nome é a Palavra das palavras, se esta Palavra deve ser respeitada mais que qualquer outra, como posso respeitar esta Palavra das palavras se já não respeito minha palavra? Portanto, como falo?...
E se este Mandamento, esta injunção fossa a injunção à consciência do «falar», à disciplina da palavra de verdade, à «palavra-consciência», à lembrança de não falar levianamente? Qual é o peso em nossas palavras, por trás de nossas palavras, naquele que fala? Quem fala? Há, assim parece, uma tal distância entre a palavra pronunciada, o que ela quer dizer, de onde ela vem, e quem a pronuncia; há uma tal irresponsabilidade da palavra!
Me é pedido: «Respeita o Nome do Senhor», o Nome dentre os nomes. Sem mesmo saber por instante de que nome se trata, o Nome dentre os nomes me demanda de respeitá-Lo. Mas não é presunção, não é arrogante de minha parte dizer: «Sim, pretendo que vou respeitar o Nome do Altíssimo, enquanto não tenho o domínio de minha própria palavra? Até onde minha palavra é palavra de verdade? Até onde não é expressão de uma divisão entre o que eu digo e o que eu sou?
A palavra indivisa, a palavra que vem Disso, onde não há divisão entre «Eu sou» e «Dizer», esta palavra é a Palavra de Verdade entre todas, é esta Palavra que criou o mundo; é esta Palavra que nos pronuncia constantemente (v. Criação Contínua).
Não somo nós que pronunciamos o Nome de Deus. É esta Palavra que, infinitamente, eternamente nos pronuncia, nos diz o «Grande Dizer Verdadeiro», nos conduz à vida, e nos desdobra. É um Nome impronunciável, porque Ele pronuncia tudo. Só podemos ser pronunciados por Ele, e somos constantemente chamados por nosso nome, por esta Palavra de vida.
Deus nos chama por nosso nome. Ser pronunciado, ser chamado por seu nome, isso não pode ser reconhecido senão quando em nós não há mais a divisão entre «ser» e «dizer», onde o «dizer», é o «fazer», é o Fiat. Ser palavra de verdade, é ser o «fazer» de verdade, é o ser o «agir verdadeiro». Não se trata mais de pronunciar o nome de algum outro em respeitando este Nome. Quando entro na consideração profunda deste Mandamento, não se trata de «Dizer» em respeitando o nome de Deus. O Cristo disse, judeu ortodoxo entre os judeus, servidor autêntico da Escritura, o judeu Jesus, Ieshoua, disse: «Foi dito a vossos ancestrais», e Ele citava a Escritura: «Tu não perjurarás, tu não pronunciarás o Nome de teu Senhor em falso; tu não perjurarás, tu darás conta de teus juramentos diante de teu Senhor. Assim, eu, eu vos digo, não jurarás de todo». E Ele adiciona, maravilha das palavras entre todas as palavras, Ele disse (Não jureis): «Tu não jurarás; que teu sim seja sim, que teu não seja não. Todo o resto vem do Maligno».
SUFISMO
Ibn Arabi: SABEDORIA DOS PROFETAS
Caner K. Dagli esclarece que o capítulo sobre o Verbo Adâmico começa tratando do Real (al-Haqq), que também pode ser considerado como a Verdade ou a Realidade. Significa a Essência de Deus, a Realidade Suprema além de todas as distinções, polaridades e relativizações. A Essência ou Si Mesmo não é isso ou aquilo, nem não isto ou não aquilo, sendo além de todas as qualificações. [...] Através do emprego de um Nome tal como o Real, se é capaz de evocar a abrangência e totalidade de Deus sem abuso do Nome Alá. Em quase todos os casos onde alguma espécie de identidade está implicada ou afirmada entre o Divino e suas manifestações, um Nome outro que Alá é usado. Não é uma questão do uso do Nome Alá como tal, mas de usá-lo com pouca propriedade espiritual (adab) e com uma auto-indulgência pseudo-mística. O uso de Ibn Arabi de al-Haqq em instâncias onde divindade e criatura parecem trocar de lugar no texto é uma expressão da presença vivida e operativa que o Nome Alá evoca para o autor de tal obra e tradicionalmente para a maioria de seus leitores. A economia do uso do Nome Alá e de outros Nomes que denotam Essências tais como al-Haqq expressa um reconhecimento que não se fala sobre Deus da maneira que se fala sobre outras categorias conceituais.