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Mistério Transformação

TRANSFORMAÇÃO — MISTÉRIO PROFUNDO DA TRANSFORMAÇÃO


Roberto Pla: Evangelho de Tomé - Logion 114

O mistério profundo da transformação não está, contudo, no lado da larva (v. Metamorfose), senão no lado da destra, que permanece para sempre, em Cristo, que por isso foi denominado por muitos o Primeiro Mistério.

Segundo a exegese oculta, o homem completo é um ternário (só para efeito de análise, posto que funciona como unidade), de corpo, alma e espírito, no qual o espírito é a partícula de luz do Pai que enquanto essência (também denominada semente, tesouro, pedra, pérola, etc...), permanece desde o princípio em sua envoltura de carne e psique, como o Deus vivo em seu templo.

Que a consciência “natural”, primeira, do homem, de natureza psicofísica, não conhece seu hóspede eterno é um fato notório, e por isso, muitos o negam não creem nele. São as névoas da alma as que impedem esse reconhecimento, que é o fundamento da consumação do homem, A obra designada à alma consiste em levantar as névoas para olhar em seu próprio fundo, e essa é a transformação.

É no leito mítico de Salomé onde a alma e o espírito consumam a unidade, Mas não é o espírito, o esposo, o varão que recebe a alma, nem é Salomé, a alma que busca, a esposa, a mulher que espera o varão.

Na transformação que por efeito da contemplação incessante da “presença” se operou na alma, esta, livre, das névoas do mundo, tomou ao final a “vestimenta do rubor” (a pureza) e se converteu em Maria, a donzela virginal, escrava e humildade, até a negação perfeita de si mesma. Do seio (essência) de Maria, nasce, se faz manifesto, o Cristo, o Filho de Deus vivo.

Visto desde o lado da destra, o caminho conflui no caminho. O espírito morador do homem é o ungido cuja unção se derrama sobre a alma em virtude da contemplação e adoração incessante da “presença”, a qual se revela nela (na alma) como Espírito uno com o espírito (Rm 8,16). Ao final se manifesta, ungido para as bodas sagradas da unidade, como o Cristo, o Filho de Deus vivo.

Com isso a transformação se cumpre e a obra de Cristo, enviado pelo Pai, entra em vias de consumação perfeita.

Na unidade que sobrevém, feitos uma só coisa o varão juntamente com a fêmea, a resposta não é varão nem fêmea, senão o Filho do Homem, o andrógino divino criado macho e fêmea ao mesmo tempo. Então, o que consumaram a unidade o verão vir sem “nuvens” com grande poder e glória, pois Ele é eles mesmos.

A unidade é a ressurreição para o que crê e este é o Juízo, pois graças ao que creu, contemplou, e como contemplou, viu, e por ele foi levantado.

Mas não é fácil saber se a ressurreição veio depois da morte da alma, ou não teve morte, senão vida na unidade do Espírito. Tudo é segundo se descreve a transformação, pois o morrer e o reviver são um ato único na Vida verdadeira e externa de Cristo.