Excertos de "Dicionário Internacional de Teologia do Novo Testamento", de Coenen & Brown
No pensamento antigo vários tipos de óleo de unção (elaion) podem penetrar profundamente no corpo e dar-lhe forças, saúde, beleza e até alegria. Assim desde um período bem antigo a ideia de ungir já alcançara um sentido simbólico e religioso. Ungir no sentido literal, não figurativo, é expresso no NT por aleipho, enquanto chriô e chrisma se empregam exclusivamente no sentido religioso e simbólico.
Segundo João o chrisma é o Espírito da Verdade que dá aos cristãos (ungidos pelo Ungido) o poder de compreensão, que os dispensa de qualquer mestre que não seja o próprio Cristo em cada um.
Roberto Pla: Evangelho de Tomé - Logion 75
Evangelho de Tomé - Logion 101
O Espírito que “vem” cobre primeiro com sua sombra, com sua presença, para que o unguento de Vida empape a alma e deixe acabado, ultrapassado, dia a dia, os condicionamentos separativos que ainda ficam aderidos a ela.
Só quando a alma se faz espírito, essência de si mesma — o qual foi cantado pela tradição como a boda mística —, é possível que a unção do espírito com o Espírito se consume. Enquanto isso chega, aí está a presença, como uma sombra preexistente, como a “nuvem”, que não é trevas senão luz atenuada que aponta o caminho do dia.
Convém saber que a sombra, ainda que fixa e fiel, “só conhece quando é conhecida”. Ainda que more em cada um, como semente que foi plantada o primeiro dia, exige, para manifestar sua presença, ser “conhecida” previamente, cada dia, cada hora, de instante em instante. Isto quer dizer que há que estar vigilante, atento sempre, para recordar que está aí, para contemplá-la e receber dela a alegria inefável de comprovar “que o Ser é”, eternamente, desde antes que o mundo fosse.
E isto há de ser assim até que a “nuvem”, vazia, se desvaneça, se resolva em Espírito. Então será possível dizer, como no velho texto testamentário que evocou Jesus: “O Espírito do Senhor sobre mim porque me ungiu”.