PHILIPPE LAVASTINE. — Disseram-me que Guénon considerava Mozart um iniciado perfeito, por causa, penso eu, do enredo de A Flauta Mágica...
B. GUILLEMAIN. — Mozart não é considerado por Guénon como um iniciado perfeito, a meu ver, mas, ainda assim, como um iniciado.
P. LAVASTINE. — Por causa do enredo?
B. GUILLEMAIN. — Não, por causa da música.
P. LAVASTINE. — Mas Guénon não era músico.
B. GUILLEMAIN. — Era hostil à introdução da música na loja, à introdução das colunas de harmonia.
P. WARCOLLIER. — O libreto de A Flauta Mágica é de um maçom, não de Mozart.
M. KELKEL. — Sim, o libreto é de Schikaneder. No entanto, em sua obra A Flauta Mágica, ópera maçônica, o professor Chailley sustenta com firmeza a hipótese de uma intervenção pessoal de Mozart durante a redação do libreto por Schikaneder, o qual (não está comprovado) talvez tenha sido auxiliado por seu amigo Metzler, chamado Giesecke. J. Chailley ressalta que Mozart era um maçom assíduo, iniciado no terceiro grau, enquanto Schikaneder, que fora inicialmente franco-maçom, havia sido excluído de sua loja de Ratisbona em maio de 1789, talvez em razão de seus costumes bastante dissolutos.
B. GUILLEMAIN. — É certo. Mozart foi realmente um mestre em maçonaria.
M. SCRIABINE. — Conhece-se o seu grau?
B. GUILLEMAIN. — Não, mas certamente foi, ao menos, terceiro grau e muito bem instruído. Talvez tenha frequentado os altos graus; não se sabe ao certo.
P. WARCOLLIER. — Ousarei formular uma hipótese pessoal. Quando A Flauta Mágica foi apresentada em Paris pelos Marionetes de Salzburgo, a sala inteira estava repleta de todos os maçons de alto grau de Paris. Penso que, se se alegravam tanto em reencontrar uma mensagem maçônica nessa obra — além da música, naturalmente —, é porque reconheciam nela algo bem mais elevado do que aquilo que pode ser ensinado nos três primeiros graus.
[René Guénon et l’actualité de la pensée traditionnelle. Actes du Colloque International de Cerisy-la-Salle: 13-20 juillet 1973]