PHILIPPE LAVASTINE. — Marcel Mauss dizia: “A arquitetura, concha do rito.” Isto é, a arquitetura só aparece para ser o enquadramento de algo muito mais essencial: o rito dramático. Enquanto para o nosso Ocidente a arquitetura é a arte maior, para a Ásia, a arte que ocupa o primeiro lugar é a dança. Há dois tipos de artes, como se sabe: as artes que se desenrolam no tempo e aquelas que se desenvolvem no espaço. Entre ambas, Térpsicore, no centro das nove musas — a dança. “Se não dançardes”, disse o Cristo, segundo um Apócrifo, “nada compreendereis do que dança no mundo.” Que é da dança na Franco-maçonaria?
B. GUILLEMAIN. — Não conheço rito que comporte, propriamente falando, dança, mas há passos rituais. E devo dizer que, sem entrar na análise de graus particulares, existe ao menos um, segundo meu conhecimento, em que o passo é de grande complexidade: é um passo de dança muito mais difícil do que aquele que um dançarino de tango, por exemplo, pode executar. Dito isso, não se executa ao som de música.
[René Guénon et l’actualité de la pensée traditionnelle. Actes du Colloque International de Cerisy-la-Salle: 13-20 juillet 1973]