Vice-Ministro: Mas sou um homem profano. Tenho um escritório, como poderia estudar para obter o Tao?
Shen Hui: Muito bem, Vossa Excelência, de hoje em diante te permitirei trabalhar sós sobre compreensão. Sem prática, só alcança compreensão, então quando estiveres profundamente impregnado com tua correta compreensão, todos os principais imbróglios e pensamentos ilusórios gradualmente cessarão.
Indicamos de pronto que é a compreensão que é essencial, sem ter recurso à múltiplos textos. — Shen Hui, Conversações do Mestre Dhyana Chen-Houei do Ho-Tso (traduzido por Jacques Gernet).
«O.O.O.» é um signo representando a «raiz cúbica de zero», o signo algébrico pelo qual não é nem sempre prontamente compreensível. «O», símbolo de zero, representa o Sujeito cujos objetos são todos os números de um a infinito. — O.O.O.
«Olhe quem está aqui!» — Douglas Harding, Em não ter cabeça.
AQUI estou! AGORA sou! ISTO-SOU! — Wei Wu Wei
PRESENÇA AUSENTE
A sabedoria revelada por estes familiares e não familiares animais não me surpreende de todo. Posto que a expressão verbal atribuída a eles é aquela de seu interpretador O.O.O., nada há de inatural ou misterioso sobre o que eles se põem a falar. E suas ações são claramente interpretações também: tudo é atual mas não factual, como o conteúdo de nossas «vida» relativas. Nem suas vidas nem as nossas são genuínas — o que está de acordo com a Virtualidade — mas enquanto nossas vidas não tem interpretador para as extrapolar para lermos sobre ela, suas vidas aqui recebem extrapolação.
Só tenho um comentário a oferecer: que um pobre O.O.O. não nos dê um tratamento similar, e nos apresente o que está realmente se passando em nossa própria dimensão não objetivizada! Penso que ele pode levantar suas sobrancelhas e replicar perguntando «Que diferença poderias possivelmente esperar? Nenhuma tal diferença poderia ser, pois nenhuma «diferença» — diferença sendo puramente relativa — tem qualquer existência Absoluta como tal, nunca teve e nunca poderia ter, pois nem «espaço» nem «tempo» tem qualquer existência objetiva também, posto que relativamente representam precisamente o que, Absolutamente, SOMOS.»
Temo que O.O.O. possa replicar a minha sugestão ou demanda por levantar de novo suas sobrancelhas — um hábito que tem — e apontar que os seres humanos nem têm o charme, a franqueza, nem a simplicidade de nossos irmãos animais, e que suas discussões seriam briguentas e obscurecidas pelas névoas da conceptualidade. Talvez, apesar de tudo, ele possa não estar certo, talvez nós não possamos «fazê-lo» francamente e simplesmente, como nossos amigos animais agem. Apesar do que possa ser, vamos tomar vantagem da franqueza destes companheiros sencientes e se contentar de se beneficiar pela sua sabedoria mais silenciosa.
Somos apenas demandados a reconhecer nós mesmos em estes breves, e por vezes alegres, esboços, e beneficiar do que revelam. Quanto a mim, assim já fiz, e posso sinceramente recomendar a experiência. Espero de fato que você, quem quer que possa estar lendo isto, beneficie-se tão inteiramente quanto o fiz.
1. INTRODUTÓRIA
«Escurecendo,» disse a coruja, se assentando em um ramo acima do coelho. «É este um bom lugar para descansar até crepúsculo?»
«É crepúsculo,» o coelho replicou, «o sol está levantando: tomastes do modo errado.»
«Para ti, talvez; tais coisas, de fato todas as «coisas», são relativas. De qualquer modo, sou o crepúsculo.»
«Se pensas assim,» replicou o coelho polidamente. «Sim, o lugar é excelente, pacífico, e a grama é deliciosa.»
«A grama não é meu afazer relativamente,» notou a coruja, «mas busco paz a fim de SER. Algum fenômeno predatório por aí?»
«Raramente», replicou o coelho, «o estranhos bípedes, mas eu entro na terra, e eles não comem corujas.»
«Muto bem, repousarei aqui,» disse a coruja, «de qualquer modo gosto de coelhos».
«Estou lisonjeado», replicou o coelho, «e és bem-vindo.»
«Suculentos e tenros,» a coruja adicionou, «e simpáticos antes da refeição.»
«Bastante,» o coelho assentiu, «uma visão que é infelizmente compartilhada pelos outros. Eis porque vivemos abaixo de nosso alimento, enquanto vives acima do teu.»
«Um coelho inteligente também!» comentou a coruja cordialmente. «Ficarei. De qualquer modo jantei.»
«Fico contente disto ouvir,» o coelho replicou polidamente, «e espero tenhas desfrutado teu jantar.»
«Um rato; bastante duro,» a coruja resmungou; «farei melhor amanhã. Boa-noite para ti, e não comas muito desta grama ruim: faz as pessoas doentes.»
«Bom-dia,» o coelho respondeu, «durma bem: te chamarei se algo predatório aparecer.»
«Obrigado, bom coelho,» a coruja respondeu curto, fechando seus grandes olhos e balançando sua cabeça, «penso que tu e eu seremos amigos.»