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Planos

GEOMETRIA — PLANOS


VIDE: plano horizontal


René Guénon: Simbolismo da Cruz

Para compreender bem os termos tomados à perspectiva, é necessário recordar que um plano de frente é um caso particular de um plano vertical, ao passo que um plano horizontal, ao contrário, é um caso particular de um plano de fundo. Inversamente, uma reta vertical é um caso particular de uma reta de frente, e uma reta de fundo é um caso particular de uma reta horizontal. É mister destacar também que, por cada ponto, passa uma só reta vertical e uma multidão indefinida de retas horizontais, mas, pelo contrário, um só plano horizontal (que contém todas as retas horizontais que passam por esse mesmo ponto) e uma multidão indefinida de planos verticais (que passam todos pela reta vertical, que é sua comum interseção, e dos quais cada um está determinado por essa reta vertical e uma das retas horizontais que passam pelo ponto considerado).


Henry Corbin: Corbin Homem Luz

E estes são todos os céus espirituais, os céus interiores da alma, os sete planos do ser que têm seus homólogos no homem de luz e que mostram suas irisações no arco-íris da visio smaragdina. «Sabe que o existir não está limitado a um ato único. Não há ato de ser tal que não se descubra por cima dele um ato de ser ainda mais determinado e mais belo que o precedente, até que se chegue ao ser divino. Para cada ato de ser, no curso da via mística, há um poço. As categorias do ser estão limitadas a sete; a isto faz alusão o número das terras e dos céus. Quando realizaste o ascenso dos sete poços nas diferentes categorias do existir, se te mostra o céu da condição soberana (robûbîya) e da potência. Sua atmosfera é uma luz verde, que tem o verdor de uma luz vital, percorrida por ondas em eterno movimento. Há nesta cor verde tal intensidade que as inteligências humanas não têm força suficiente para suportá-lo, o que não as impede de se enamorarem dele com um amor místico. E na superfície deste céu se mostram pontos de um vermelho mais intenso que o fogo, o rubi ou a cornalina, e que aparecem colocados em grupos de cinco. O místico, ao vê-los, experimenta nostalgia e ardente desejo, e aspira a unir-se com eles» (Najm Kôbra § 18).


Philippe Lavastine
[René Guénon et l’actualité de la pensée traditionnelle. Actes du Colloque International de Cerisy-la-Salle: 13-20 juillet 1973]

Nunca se deve esquecer que, na Índia, há três planos. O plano inferior, o dos elementos; se se vive apenas segundo os elementos — a água, o fogo etc. —, ao morrer merecer-se-á a palavra que Goethe pronuncia: «Volta para os elementos». Se se logrou erguer-se ao plano intermédio, se se logrou tornar-se homem pela segunda nascença, então age-se segundo o sacrifício. Esse é o plano do Sagrado. Mais alto ainda, está o divino. Os hindus não possuem um deus único como nós, mas uma família de deuses que é o modelo da família humana. Pelo «pequeno sacro» ou pelo «grande sacro», o chefe de família ou o rei torna-se «santo». Quando disse outro dia que todo o infortúnio veio dos santos, tinha em mira os santos individuais. Não se trata de procurar a perfeição individual. Deve-se ser pedras para a construção de um templo. Se a pedra individual busca a perfeição, tenderá a tornar-se esfera e o templo ruirá. Há indivíduos masculinos e outros femininos; só alcançarão a perfeição na união do masculino e do feminino. Para quem deseja atingir o estado mais elevado, existe o monaquismo, o qual nego em parte.

O plano do Sagrado é o da segunda criação, da criação que Mus chamava notarial; é o paraíso terrestre, e no paraíso terrestre o divino pode descer. Jamais se deve confundir o divino e o sagrado. Só no sagrado o divino pode descer. O divino não pode descer no homem enquanto o homem estiver cheio de si mesmo. Perguntei a Marthe Robin o que é a oração; ela respondeu-me: «É preciso fazer um vazio». É necessário lograr esvaziar-se, excretar-se; pensa-se que a excreção é suja, indecorosa. Ao contrário, é a purgação. Na medida em que se seguiu a via purgativa, faz-se em si o vazio, e aumenta-se Deus em si. Se se chegou a estar inteiramente vazio, Deus pode entrar por completo. A passagem da dor à alegria é a via espiritual. Lembram-se do magnífico texto citado por Bammate: «Aquele que me procura, me encontra. Aquele que me encontra, me conhece. Aquele que me conhece, me ama. Aquele que me ama, eu o amo. Aquele que eu amo, eu o mato. Aquele que eu mato, é Eu mesmo que sou seu resgate».