''Obra em português:" IRGET
(índice original francês)
LAURANT, Jean-Pierre. Le Sens caché selon René Guénon. Paris: Éditions L’Age d’homme, 1975
A exposição metafísica, unida e integrada à linguagem simbólica, encontra em O simbolismo da Cruz uma expressão particularmente feliz. Publicou-se este livro em 1931 pelas edições Vega em Paris; encontra-se ali, a partir de um exemplo de símbolo, e das correspondências que ele evoca, uma definição doutrinária dos estados do ser. Em O Homem e seu devir segundo o Vedanta, os paralelos com as demais Tradições eram desenvolvidos exclusivamente nas notas.
A dedicatória, à memória venerada de Esh-Sheikh Abder-Rahman Elish el Kebir... a quem se deve a primeira ideia deste livro. Meçr El-Qahirah, 1329-1349H (1912) deveria, aliás, servir de argumento a favor de sua vinculação ao sufismo desde esta época por Ivan Agueli.
A relação estabelecida entre doutrina, símbolo e história foi mencionada no prefácio: “O caráter simbólico, embora comum a todos os fatos históricos... (é) particularmente nítido para a história sagrada..., se o Cristo morreu na Cruz, é, podeis dizer, em razão do valor simbólico que a Cruz possui em si mesma e que lhe foi sempre reconhecido por todas as Tradições; é assim que, sem diminuir em nada sua significação histórica, podes considerá-la como sendo apenas derivada deste valor simbólico mesmo.” Toda uma hierarquia de sentidos simbólicos se superpõem e suportam ao mesmo tempo o sentido metafísico: “..É por isso que constitui (a linguagem simbólica) a linguagem iniciática por excelência, o veículo indispensável de todo ensinamento tradicional.”
Mais ainda que O Homem e seu devir segundo o Vedanta, onde as descrições foram objeto de uma ordenação racional e de uma conceitualização inevitável, O Simbolismo da Cruz representa a linguagem verdadeira de Guénon.
O primeiro capítulo e o início do segundo retomam noções já expostas na obra precedente sobre a multiplicidade dos estados do ser e o homem universal. O estado humano é ali, contudo, apresentado como central: “a expressão mais completa do estado individual”, este homem universal existe, aliás, apenas em estado virtual como o Adam regenerado pela Redenção de que fala São Paulo.
N.M. Denis-Boulet censurou O Simbolismo da Cruz por ser apesar de seu título: “um livro muçulmano”. Se os Cristãos têm o sinal da Cruz, puderam dizer os Muçulmanos, nós temos a doutrina. O ponto de encontro é certamente a apresentação do estado humano como central. Posição que não se podia deduzir de O Homem e seu Devir... Contudo, retornar-se-á a ela mais adiante, esta posição é central apenas em relação a um dado estado e jamais é privilegiada.