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id da página: 2439 Evangelho de Tomé - Logion 18

Evangelho de Tomé - Logion 18

Os discípulos disseram a Jesus: Diga-nos como será nosso fim. Jesus disse: haveis pois descoberto o princípio para que busqueis o fim? Pois ali onde está o princípio, ali será o fim. Bem aventurado aquele que se mantenha no princípio, pois conhecerá o fim e não provará a morte. Roberto Pla

Evangelho de Jesus: Mt 24,3-6



Roberto Pla
O princípio e o fim são um só e o mesmo quanto ao homem pneumático, pois ambos consistem em ser Cristo vivo, o Filho do homem, segundo está dito: "Eu sou o Alfa e o Ômega, o primeiro e o derradeiro, o princípio e o fim." (Ap 22,13)

Quando o homem não se reconhece a si mesmo como homem em Cristo, desconhece seu fim. Isto é o que ocorre com quem se interroga sobre o fim. Mas tal interrogação é uma tentativa vã de desvendar o futuro, como se o fim tivesse que ser buscado em uma resposta impressa no tempo. O que explica o logion é que o princípio e o fim não "passam" pelo homem como ocorre com a vida temporal mas que "estão" os dois no homem, "são" o homem, pois não são outra coisa que o Cristo interior ignorado, morto vivo, em cada homem. O que importa, segundo isto, é descobrir, ressuscitar, esse princípio que "é", que foi sempre como princípio, e ele revelará o fim, o qual é também eterno pois foi constituído desde o princípio.

A identidade de princípio e fim, se estende também à de Primeiro e Último que Cristo reivindica; mas esta outra ordem é idêntica em Cristo e distinta fora dele. É o fato de “ser em Cristo” o que em todos os casos imprime a identidade e por conseguinte também a prioridade, assim como o fato de “ser” fora de Cristo é o que determina a distinção. Isto é o que explica a conhecida sentença de Jesus: “Há últimos que serão primeiros e há primeiros que serão últimos” (v. Últimos Primeiros).

Estuda então Roberto Pla a parábola dos Trabalhadores da Vinha, que se fundamenta no significado desta sentença, a qual confirma repetindo-a no final.


Emille Gillabert

O percurso existencial que vai do nascimento à morte é um epifenômeno que só tem importância aos olhos do psíquico, e como ele gosta de se dar importância, ele fabrica o de que ele acredita precisar, inclusive sua sobrevivência, Deus, o céu, o inferno, etc.

Para ele, Jesus é o mais desconcertante possível: “Este céu passará e aquele que está acima dele passará, e aqueles que estão mortos não vivem” (log. 11, 2). Mais uma vez, Jesus instrui no presente logion o julgamento da pessoa e do imaginário no qual ela se compraz porque ela se crê, se não eterna, ao menos em adiamento. Terrível desengano para ela enquanto a passagem da identidade de empréstimo para a identidade real não tiver acontecido! Sobretudo, não há nada a apressar neste abrir mão do mental. É preciso, aliás, para empreendê-lo, sentir a imperiosa necessidade. Uma vez desvinculado do mental e de seus condicionamentos, o corpo manifesta o que era no nascimento e o que permanece para além do percurso terrestre; no Evangelho, ele tem o nome de Reino. “Meu Reino não é deste mundo”; no entanto, ele abraça o mundo. Ele está além do espaço-tempo que engendra nascimento e morte: começo e fim estão confundidos. O Vivente não conhece nem nascimento nem morte.


A conclusão do logion, eles não provarão da morte é retomada pelos sinóticos (Mt 16, 28; Mc 9, 1; Lc 9, 27), mas em uma ótica escatológica. Em São Paulo (1 Ts 4,15), o mesmo clima: “Nós, os vivos, que ainda estaremos lá para a vinda do Senhor.” Pode-se, aliás, se perguntar se os três sinóticos não sofreram a influência direta de São Paulo.


Jean-Yves Leloup

Há questões inúteis. Porque buscar saber onde vamos, o que vamos nos tornar, quando ignoramos de onde viemos realmente. O que somos hoje é o resultado do que fomos ontem; o que seremos amanhã será a consequência do somos hoje.

As questões sobre a origem e o fim nos levam ao hoje e é neste «hoje» — aqui e agora — que podemos apreender o princípio e o fim.

Heráclito dizia: «No círculo, o início e o fim se juntam». Cada ponto deste círculo pode ser considerado como princípio e fim. Cada momento presente em sua profundidade pode nos revelar o alfa e o ômega. Trata-se de se manter presente à Fonte de onde nasce o pensamento, a vida, o movimento e o ser...


Philippe de Suarez

Mt 16,28 // Mc 9,1 // Lc 9,27

Os discípulos interrogam o Mestre sobre a morte e a sobrevivência. Jesus, unido ao Pai, transcendeu o fenômeno da morte; o começo é desvelado a seus olhos, ele não é gerado da mulher (logion 15). Nascimento e vida não têm realidade para ele no sentido metafísico do termo. Ele não prova da morte, sendo vivente para sempre.

Com Paulo (1 Ts 4,15) se desce novamente ao nível dos discípulos que não transcendem o mundo da manifestação: nós, os vivos, que ainda estaremos lá para a vinda do Senhor. Mt, Mc e Lc são objeto de uma incompreensão semelhante, talvez sob a influência direta de Paulo, em todo caso sob o domínio da psicose do fim dos tempos. Para eles, como para Paulo, a vinda do Filho do homem, em poder, deveria lhes poupar miraculosamente a humilhação da morte. Todos os três empregam a mesma expressão vinda deste logion, mas em um contexto totalmente outro: eles não provarão da morte.


Pode-se supor que ao longo das redações sucessivas o “se manter no começo” deste logion, ou seja, estar presente no começo, se transformou em “há aqui presentes”. Mais uma vez se cai do plano metafísico para o plano do evento.