François Chenique
SARÇA ARDENTE
Para São Boaventura, o mundo sensível é o reflexo das perfeições do Criador; ele deve poder ajudar a alma em sua rota para o Criador. O mundo sensível reflexo do mundo inteligível nos oferece os "vestígios das criaturas" para nos elevar à "contuição de Deus". Por contuição, deve-se entender uma apreensão indireta de Deus através das criaturas consideradas como "efeitos" da Causa primeira1 .
"Estes dois primeiros degraus nos conduziram pela mão para nos fazer contemplar Deus em seus vestígios. Eles são figurados pelas duas asas que cobrem os pés do Serafim. Eles nos permitem concluir que todas as criaturas do mundo sensível guiam para Deus eterno a alma do sábio e do contemplativo. Com efeito, em relação a este Primeiro Princípio todo-poderoso, soberanamente sábio e soberanamente bom, a respeito desta fonte eterna, desta luz e deata plenitude, a respeito, digo eu, da Causa eficiente, exemplar e final, todas as criaturas são como uma sombra, um eco e uma imagem; elas são vestígios, símbolos e representações que nos são oferecidos para nos elevar à 'contuição' de Deus,enquanto signos divinos; são, digo eu, exemplares ou melhor cópias, à mão de nossos espíritos ainda grosseiros e sensuais, e destinados a fazê-los passar do universo sensível, que veem, ao mundo inteligível, que não veem, como se passa do signo ao significado" (Boaventura Itinerarium, II, 11)