PHILIPPE LAVASTINE. — Como concebe a diversificação do Corpus mysticum, de que apenas mencionaste uma palavra?
JEAN TOURNIAC. — Remeter-te-ei aos trabalhos do Pe. Trithemius Inteligencias 2, o teólogo que tratou especialmente desse tema. Pessoalmente, penso que a doutrina do Corpo místico na Igreja é talvez um dos aspectos que têm sido particularmente postos em relevo há cerca de cinquenta anos, e que permite conceber uma identidade das formas tradicionais sem, contudo, renegar o cristianismo. O Corpo místico integra visões diferentes de Deus, as quais, por sua vez, se integram no próprio corpo de Cristo. O Cristo, em suma, as abrange em si, e, se se faz a transposição Cristo-Verbo, Verbo-Centro, obtém-se uma perspectiva metafísica (incluída na doutrina do Corpo místico) que permite essa transposição dentro do cristianismo. A Idade Média possuía essa noção do Corpo místico; talvez não lhe atribuísse as mesmas dimensões que hoje lhe são dadas. Mas o Corpo místico é o lugar dos possíveis, é a total possibilidade que compreende necessariamente expressões múltiplas. E uma outra tradição pode nele incluir-se. Aliás, a Igreja, quando fala da salvação concedida àqueles que não são cristãos, refere-se à doutrina do Corpo místico. É a salvaguarda doutrinal, mas é ao mesmo tempo uma altitude da concepção do Cristo que permite o “recolhimento de tudo o que está disperso”.