GRAAL
Patrick Rivière: OS CAMINHOS DO GRAAL
Na Índia, o vaso Samudra 1 contém o soma que busca a sabedoria divina. Em nossos dias sua composição não é mais a mesma, pois o segredo se perdeu. Parece ter sido substituído por analogia pelo BHANG, que é extraído das folhas de cânhamo indiano.
O soma era considerado primitivamente uma divindade 2 , encarnada em um vegetal: Asclepias acida, planta que incita à clarividência aqueles que absorvem o extrato de seu suco. Essa divindade certamente era lunar, pondo em evidência a influência indispensável da irradiação do astro noturno na preparação do soma como remédio universal e elixir de conhecimento que traz a luz.
Quanto ao haôma da tradição iraniana, pode-se ler no Yacna sagrado (espécie de breviário ou ordinário do culto masdeano): "Ó Zaratustra, eu sou Haôma, o puro, aquele que afasta a mortalidade". E o pai do masdeísmo responde: Homenagem a Haôma, santo, perfeito e muito justo. Ele cura todos os males, proporciona a saúde... é o melhor viático para a alma... Honra a Haôma, que toma o pobre tão grande quanto o rico, que eleva o espírito do pobre tão alto quanto a sabedoria dos grandes". O vaso que o contém é o Djenschid 3 . É duplo, branco e amarelo. O branco é chamado Gaokerena 4 , uma planta que cresce sobre a montanha sagrada Hara-Berezaiti 5 . O amarelo foi escolhido por Avesta para realizar o sacrifício ritual. É proveniente da árvore Yadbesh 6 que cresce próximo ao Gaokerena. É, propriamente, o "elixir de longa vida" dos alquimistas! O haôma, considerado sob o aspecto divino, o "Yasata", tinha como propriedade afastar os maus espíritos quando se conseguia liberar sua quintessência. 7
Assim, do haôma e do soma, a simbólica era a mesma e podia-se alcançar a felicidade suprema, ou ananda, que é, efetivamente, a natureza real da beatitude divina.
NOTAS: