VIDE: MATÉRIA; OUSIA, ESSÊNCIA, HYLE, EXISTÊNCIA
PERENIALISTAS
René Guénon: PURUSHA E PRAKRITI
Segundo o estudo do pensamento de René Guénon, de Vicenza, Dictionnaire de René Guénon:
Sob o ângulo da Substância, nos é portanto permitido aperceber o aspecto cosmogônico da Natureza e seu "Devir" próprio, assim como a Unidade do Ser em que são reunidas Substância e Essência. Guénon insistirá no entanto, numerosas vezes, sobre a necessidade de superar a visão limitada dos dois termos correlativos, "essência" e "substância", a fim de penetrar no coração da Metafísica integral que se estende até o Para-matma ou Purushottama, quer dizer o Supremo Brahma, além da essência e substância, que ele só é autenticamente desprovido, absolutamente e principialmente de todo limite.
Jean Canteins: Excertos de A PAIXÃO DE DANTE ALIGHIERI
Traduzimos, na falta de melhor, a palavra sussistenza, empregada aqui (Dante Alighieri), por «Substância». A questão é confusa por prazer: em latim a distinção entre substantia (de sub-stare: se manter abaixo) e seu dublê subsistentia (de sub-sistere: estar abaixo) não se dá por si só segundo os contextos. O sentido destas duas palavras é derivada daquela determinada pelo neoplatônicos entre os termos gregos hypostasis e hyparxis; o primeiro pode se traduzir por «Essência» (como sinônimo de ousia) ou por «Hipóstase» e designar a Pessoa Divina; o segundo por «existência», o fato de ser.
Não é questão de abordar em uma nota a problemática complexa destas duas noções. A explicação menos nebulosa nos parece ser dada por um homem de grande envergadura especulativa que forma a malha entre o pré-escolástico João Escoto (séc. IX) de quem sofreu a influência, e os grandes escolásticos dos séculos XIII e XIV: Gilbert de la Porrée (1076-1154). E eis muito esquematicamente resumida: por um lado, diz-se de um «subsistente» que é uma substância porque suporte (sub-stat) um certo número de «acidentes» e, assim sendo, é a causa e o princípio daqueles que participam em seu ser; por outro lado, a «subsistência» é a propriedade do que, para ser o que é, não tem necessidade de acidentes (p. ex. os gêneros e espécies). Segue-se que porque elas não têm necessidade de seus acidentes para subsistir todas as substâncias são subsistências mas porque algumas dentre elas não suportam de fato nenhum acidente todas as subsistências não são substâncias (Etienne Gilson, A Filosofia na Idade Média. 1944, p. 264).