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id da página: 8334 Michel Henry Caminho Michel Henry

Michel Henry Caminho

Michel Henry — EU SOU CAMINHO, A VERDADE, E A VIDA


O segundo termo da sequência tautológica: “Sou Eu, o Caminho, a Verdade e a Vida” (vide MOSTRE-NOS O PAI) — o Caminho — pode ser relacionado seja aos termos 3 e 4 e à identidade estabelecida entre eles, seja ao primeiro termo: Eu. Relacionado ao termo 3 — a Verdade — o Caminho exprime então uma tese geral da fenomenologia, a saber que o caminho de acesso a uma coisa qualquer consiste na manifestação desta coisa. De uma maneira geral, é a fenomenalidade de um fenômeno que constitui a via de acesso a este fenômeno. Esta tese decisiva da fenomenologia permanece no entanto totalmente indeterminada enquanto não se se sabe em que consiste a fenomenalidade, mais exatamente a maneira pela qual ela se fenomenaliza. Na verdade, a busca sobre a maneira pela qual se fenomenaliza a fenomenalidade deveria constituir o tema mesmo da fenomenologia, sua tarefa primeira e a mais essencial. A esta tarefa, logo quando ela acreditava aí se consagrar, a fenomenologia falhou gravemente. Enganada pelo pressuposto que comanda a filosofia ocidental e não fazendo desde então senão retomar esta, e o pensamento clássico notadamente, a fenomenologia interpreta a fenomenalidade do fenômeno como aquela do mundo. Dizer então que o Caminho é a Verdade, é dizer que “tudo ao qual podemos aceder se mostra a nós no mundo”, em uma manifestação que é a Verdade mesma do mundo. Quando a verdade é interpretada de maneira revolucionária pelo cristianismo como a Vida (trata-se bem entendido de uma revolução meta-temporal, meta-histórica), então o Caminho que conduz, que dá um acesso, é precisamente a Vida. É a Vida que é o Caminho. Caminho totalmente diferentes daquele do mundo e que conduz ao que é totalmente diferente do que se manifesta no mundo. A que conduz o Caminho, quando ele é o Caminho? Ele conduz à Vida. Este Caminho nada mais é que a Vida ela mesma na medida que a Vida se auto-revela nesta auto-afeção que constitui sua própria fenomenalidade, sua substância fenomenológica, sua carne, a carne de tudo o que é vivente.

E agora relacionando o segundo termo ao primeiro, a palavra diz: “Sou Eu o Caminho”. Eu = o Caminho. Esta identidade fundamental não tem sentido senão se ela é relacionada às duas outras tautologias que compõem a palavra — seja às duas condições. A primeira é que o Caminho seja constituído pela Verdade, o que certamente é, segundo a tese mais geral da fenomenologia. Mas a segunda condição, a última tautologia, é decisiva: é que a Verdade seja constituída pela Vida. Pois se ela fosse constituída pelo mundo segundo a filosofia tradicional como a princípio segundo a crença popular, então é o mundo que constituiria o caminho, o caminho de acesso a tudo o que pode se mostrar a nós. Acha-se somente que se tal é o caso não haveria nós nem Vida nem Eu (nem nenhuma verdade a princípio, nem nenhum mundo, mas aqui não é o lugar de estabelecê-lo).