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id da página: 3833 Jonas Luz e Escuridão Hans Jonas

Jonas Luz e Escuridão


"Luz" e "Escuridão", "Vida" e "Morte"

  • Na "cepa" iraniana do gnosticismo, que também é um componente do pensamento mandeano.
    • A primeira Vida "estrangeira" é o "Rei de Luz", cujo mundo é "um mundo do esplendor e da luz sem escuridão", "um mundo de suavidade" sem rebelião, um mundo de retidão sem turbulência, um mundo de vida eterna sem decadência e morte, um mundo de bondade sem mal...
        • Um puro mundo não misturado com enfermidade.
        • Em oposição a isto está o "mundo da escuridão, totalmente cheio de mal..., cheio de fogo devorador... cheio de falsidade e engodo. ... Um mundo de turbulência sem firmeza, um mundo de escuridão sem luz... um mundo de morte sem vida eterna, um mundo no qual as coisas boas perecem e planos não dão em nada"
    • Mani que adotou completamente a versão iraniana de dualismo, começa sua doutrina das origens, como reportada na Fihrist, na fonte arábica, como segue: "Dois seres foram no princípio do mundo, a Luz única, a outra Escuridão".
    • Dentro deste pressuposto o mundo existente, "este" mundo, é uma mistura de luz e escuridão, no entanto com a preponderância de escuridão: sua principal substância é escuridão, sua mistura estrangeira, luz.
    • No dado estado de coisas, a dualidade de escuridão e luz coincide com aquela "deste mundo" e "do outro mundo", posto que a escuridão incorpora sua essência e poder integrais neste mundo, que agora, no entanto, é o mundo da escuridão.
        • O rei da escuridão primal está mesmo no estágio pré-cósmico chamado "o Rei deste mundo" e "destes eones", embora de acordo com o sistema o mundo derive somente de uma mistura dos dois princípios.
        • Um paralelo mandeano ao ensinamento de Mani sobre as origens cuja sentença de abertura citamos acima: "Dois reis existiam, duas naturezas foram criadas: um rei deste mundo e um rei dos mundos de fora. O rei destes eones pôs uma espada e uma coroa de escuridão..."
        • Falando logicamente, isto é inconsistente; mas simbolicamente é mais genuinamente gnóstico que a abstração de Mani, posto que o princípio da "escuridão" está aqui desde a partida definido com aquele do "mundo" do qual a experiência gnóstica foi primeiramente concebida.
        • O "mundo" é determinado pela escuridão e a "escuridão" somente pelo mundo
    • A equação mundo (kosmos) = escuridão é de fato independente e mais básica do que a teoria particular das origens, exemplificadas, e como uma expressão da dada condição admite tipos de derivação amplamente divergentes
        • A equação como tal é simbolicamente válida para o gnosticismo em geral.
    • No Corpus Hermeticum encontra-se a exortação, "retire-se da luz escura (CH I,28), onde a combinação paradoxal marca o ponto de que mesmo a luz assim chamada neste mundo é na verdade, escuridão.
    • "Pois o cosmo é a plenitude do mal, Deus a plenitude do Bem" (CH VI,4)
    • Assim como a escuridão e o mal, a morte é um símbolo do mundo como tal
    • Assim compreendemos a afirmativa hermética citada em Macróbio (Sonho de Cipião) que a alma "através de muitas mortes a medida que passa as esferas desce para o que na terra é chamado vida".