Comentário do Dhikr Tahlil
O Tahlil aparece, no ensinamento do Xeique al Akbar, como a fórmula por excelência do Tawhid quer dizer da doutrina islâmica da Unidade divina.
Tal qual é mencionada no Corão, esta fórmula comporta quatro termos, dos quais os três primeiros são sempre idênticos. Trata-se das palavras La ilaha illa... quer dizer: “Negação (La) de Deus (ilaha, no sentido da “expressão particular da Divindade”) se não é (illa)...”. Só o último termo difere e determina as diversas modalidade corânicas do Tahlil.
Estes últimos se reduzem eles mesmo a quatro: de pronto aqueles que guardam o Nome de Alá e se apresentam sob a forma La ilaha illa Allah que constitui o Primeiro Testemunho de Fé; vêm em seguida as modalidades compreendendo os três Nomes divinos expressos pelos nomes pessoais do singular, quer dizer Ana, “Eu”, Anta, “Tu”, e Huwa, “Ele”. As fórmulas correspondentes são então La ilaha illa Ana: “Negação de Deus se não é Eu”; La ilaha illa Anta: “Negação de Deus se não é Tu” e La ilaha illa Huwa: “Negação de Deus se não é Ele”. O texto revelado comporta uma só exceção que figura no versículo 90 da Surata Yunnus (Joanas): neste lugar, o quarto termo da fórmula do Tahlil não é um Nome divino mas uma paráfrase significando “Aquele no qual creram os Filhos de Israel”. A razão desta particularidade será dada mais adiante no comentário akbariano relativo a este verso. Fora desta exceção e dos dois casos onde o quarto termo é Alá — situados no versículo 35 da Surata as Saffat e o outro no versículo 19 da Surata Muhammad — o conjunto dos Talil corânicos terminam por uma dos três pronomes pessoais que acabamos de mencionar; frequentemente, trata-se a princípio do pronome da terceira pessoa Huwa, que intervém ao todo vinte nove vezes.
Os três primeiros termos da fórmula apresentam um sentido aparentemente restritivo em razão do qual o quarto aparece, antes de tudo, como uma designação da Função divina. É esta função que, mo Tahlil, é visada como única. O fato que o último termo possa ser considerado ele mesmo como uma manifestação particular da Divindade não implica com efeito de maneira alguma que ele possa coexistir em princípio com outras manifestações particulares. Pretender o contrário reviria justamente a dar «divindades associadas» àquela que está implicada na proclamação que Alá faz dEle mesmo por meio do tawhid; é assim porque, em certas formulações tradicionais mais desenvolvidas, o Tahlil inicial é seguido da expressão La-sharika la-Hu, «Ele não tem associado», que põe o acento sobre a Unidade absoluta sem restrição alguma, da Função principal do momento que é de Alá que se trata. A justificação metafísica dos três primeiros termos e da limitação aparente que comportam reside no fato que o quarto, qualquer que seja a variante visada, inclui em realidade, quanto a sua significação, todas as manifestações possíveis da Divindade.
Quando o último termo é Alá, quer dizer o Nome de Majestade, esta inclusão aparecerá de maneira eminente e em toda sua universalidade pois, enquanto tal, este Nome designa tanto o Princípio Supremo quanto a Função divina sob seu aspecto mais exterior; isto permite compreender que a fórmula La ilaha illa Allah esteja presente no Testemunho de Fé e que exprima o pertencimento do ser à comunidade islâmica.
Em revanche, a presença, como último termo do Tahlil, dos três Pronomes divinos é indicativa de uma perspectiva puramente esotérica, aquela da «Personalidade divina» que corresponde todavia, ele também, a um aspecto do Nome de Alá. Na breve conclusão que dá a seus comentários, o Xeique al-Akbar visa com efeito os diferentes Tawhid corânicos como tantos Maqam, quer dizer «Estações», no sentido técnico e iniciático do termo. Adiciona que o fato de ter praticado desta maneira a «Lembrança» de Alá conforme Sua Ordem lhe valeu «uma Ciência de Sua parte» e «uma Misericórdia vida de junto dEle»; ou estas expressões constituem uma referência a sayyidna al-Khidr — sobre ele a Paz! — e por este fato mesmo, à «Ciência Oculta».