Filosofia
Alexis Preyre: LE DOUTE LIBÉRATEUR
Se a dúvida é oscilação entre dois ou mais «objetos», entre dois ou mais atos, entre dois ou vários pensamentos, entre dois ou vários «possíveis», implica número, espaço, tempo e por conseguinte movimento?
Se dúvida e pensamento são do domínio do «inextenso», não implicaria o inextenso? O inextenso é concebível se não é relativamente ao extenso? Relativamente ao espaço?
Na medida que a dúvida é recusa ou impossibilidade de escolher, não implica uma distinção e toda distinção não implica uma escolha?
Escolha e distinção são separáveis?
Toda escolha não implica uma distinção e toda distinção não implica uma escolha?
A etimologia da palavra «dúvida» que através do latim vem de uma palavra sânscrita significando «dois», parece indicar que a dúvida esta ligada a uma dualidade, quer dizer que estabelece a existência de dois termos, implica uma distinção.
Se, como tudo parece indicar, escolha e distinção são as condições mesmas da dúvida e também do pensamento, não se segue que dúvida e pensamento têm por condição uma parte de arbitrário posto que toda escolha e toda distinção não são possíveis que relativamente a uma outra escolha ou a uma outra distinção que, por sua vez, implicarão outras escolhas e outras distinções?...
E isso ao infinito posto que todo princípio, todo critério, toda evidência, relativamente às quais se poderá justificar absolutamente uma escolha ou uma distinção, serão elas mesmas e não poderão ser senão os resultados de uma escolha e de uma distinção anteriores.