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id da página: 9829 Henry Corbin – No Islame Iraniano II – Luz de Gloria Henry Corbin

Corbin Luz de Gloria

luz


CORBIN, Henry. En Islam iranien: aspects spirituels et philosophiques II. Paris: Gallimard, 1991

O conceito zoroastriano de Xvarnah

  • A Aura da Glória: O Xvarnah é um termo zoroastriano fundamental, traduzido como a Luz de Glória, uma chama vitoriosa, uma aura de majestade, ou um nimbo. É uma qualidade luminosa e sobrenatural que se manifesta em figuras divinas (Yazatas), em reis e heróis iranianos. Sua representação iconográfica, presente nos Kayanidas e em outras dinastias persas, foi transferida para o cristianismo e o budismo, nos nimbos de santos e budas.
  • Filição direta: Sohrawardi reivindica uma filiação direta a esta tradição. Sua capacidade de "ressuscitar" a sabedoria dos antigos persas pressupõe um profundo conhecimento do ta'wil (hermenêutica espiritual) do Islã, que lhe permitiu participar das experiências visionárias de profetas e sábios como Hermes, Zoroastro e Plotino, unificando suas linhagens espirituais.
  • A fonte das fontes: O Xvarnah, ou Khorrah em persa, é a "fonte das fontes" da teosofia oriental de Sohrawardi. Ele afirma que o conhecimento que adquiriu não é teórico, mas sim fruto de uma experiência de luz que não se limita a ver um objeto, mas que permite a própria visão.

Manifestações e tipologias do Xvarnah

  • A tríplice manifestação do Xvarnah: Sohrawardi, seguindo o Avesta, descreve três categorias de Xvarnah:

    1. A Luz de Glória da cavalaria: Manifesta-se nos heróis e guerreiros, concedendo-lhes força, vitória e domínio.
    2. A Luz de Glória sacerdotal: Manifesta-se nos homens de Deus e profetas, conferindo-lhes alegria, felicidade e a espontânea simpatia das almas.
    3. A Luz de Glória real (Kayan-Khorrah): A mais elevada das três, que se manifesta nos reis e soberanos sagrados, como Kay Khosraw. É a plenitude do Xvarnah, que combina as qualidades das duas categorias anteriores em perfeito equilíbrio, conferindo conhecimento, virtude, felicidade e o poder de liderar o mundo.
  • Conexões e analogias: O conceito de Xvarnah tem paralelos com a Doxa-Sophia grega e a Shekhina hebraica, bem como com a "Luz mohammadiana" (Nur Mohammad) da profetologia xiita. Ele também se conecta com a ideia de Destino (Tykhê) pessoal, indicando que a glória de um ser está ligada à sua essência e à sua "força vitoriosa" (tasallot).

  • A "força vitoriosa" (amr qahri): Sohrawardi usa os termos qahr e qahir para descrever a força de dominação e vitória inerente às Luzes angélicas (Anwar qahira). Essa ideia de "dominação vitoriosa" se alinha com a iconografia do anjo Miguel (Angelus victor) e com as Niké da escultura grega, que personificam a vitória.


O "Corpo de Glória" e a busca do Sábio

  • O Sábio como "corpo de luz": O Xvarnah não se manifesta no corpo físico, mas no "corpo de luz" do Sábio, que é seu arquétipo eterno. A busca espiritual é uma jornada para se reconectar com esse "corpo sutil", que é a verdadeira essência do ser.
  • O "Oriente da Presença": A sabedoria não é teórica, mas uma "conhecimento presencial" (ilm huzuri) onde o Sábio se torna luz. A alma purificada "se levanta" sobre o objeto de seu conhecimento, fazendo-o presente de sua própria presença. Isso é o Oriente da Presença (ishraq huzuri), onde o sujeito e o objeto se fundem em uma relação unificadora.
  • As condições da busca: Sohrawardi é explícito ao afirmar que a sua obra se destina àqueles que já experimentaram o "relâmpago divino" (al-bariq al-ilahi), uma irradiação de luz que os eleva acima do conhecimento teórico. Sem essa experiência, o buscador é "entregue a todas as dúvidas".
  • A visão como fundamento: Sohrawardi fundamentou sua teosofia na visão do Xvarnah que lhe foi concedida, à semelhança das visões de Kay Khosraw, Zoroastro e outros. Ele se vê como o herói extático que, através da conhecimento vitoriosa, transcende a dualidade e se torna um mediador da Luz divina.
  • Soberania e espiritualidade: O Sábio que alcança a plenitude do Xvarnah real é o "chefe natural do mundo" e o "vicário de Deus na Terra" (Khalifat Allah), mas sua autoridade é puramente espiritual, não política. É a figura do Imã oculto, que, mesmo invisível, ilumina o coração dos fiéis.