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id da página: 12235 Chuang-Tzu – O Tao, não ser – Elorduy

Chuang Tzu Tao Elorduy

TaoChuang TzuElorduy – Não-Ser

ELORDUY, Carmelo. Chuang- Tzu. Análisis y traducción Carmelo Elorduy. Caracas: Monte Avila Editores, 1991

As expressões negativas, utilizadas pelo taoismo para expressar a essência inominável do Tao, têm desorientado muitos e os levado a acreditar que o próprio Tao provém do caos. Hoje se sabe que esse recurso tem sido amplamente utilizado por filósofos e teosofistas e até mesmo por escritores cristãos. Na minha tradução de Lao-tse, A Gnose Taoísta do Tao Te Ching, apresento inúmeras citações dessa maneira de se expressar sobre a divindade em hinos gnósticos coptos, pp. 69 e 70. O neoplatônico Plotino e o cristão Dionisio Areopagita chamam-no de anousion (sem ser). Plotino diz do Um que não se pode dizer que ele é assim, nem que ele é isto ou aquilo, nem mesmo simplesmente que ele é: “Podemos dizer o que ele não é, mas o que ele é não podemos expressar”. Cayo Mario Victorino, cristão, diz de Deus que ele é “sine existentia, sine substantia, sine intelligentia, sine vita”.

Na Índia, encontramos a mesma terminologia. Em Chandogya Upanishad, VI 2, 1-2 Senart p. 78, diz-se:

“No início de todas as coisas, meu amigo, não havia nada além do Ser, sem mais nada. Alguns dizem, é verdade, que só existia o nada, sem mais nada, e que desse nada nasceu o Ser. Mas como, querido amigo, isso pode ser? Como pode o Ser nascer do não ser? Na verdade, era o Ser que existia no início, o Ser solitário e sem segundo”.


O interessante é encontrar já nos tempos remotos de Lao-tse bem estabelecida essa nomenclatura negativa com seus atributos correspondentes de significados contrários: plenitude vazia, forma sem forma. Cf. p. 23 da minha obra citada.

No capítulo 40, ele diz que “Os dez mil seres nascem do Ser e o Ser nasce do Nada”. No capítulo 4, ele diz que seu vazio ou cavidade é para o Tao sua eficácia. No capítulo 45, ele o chama de “a grande plenitude vazia em sua aparência”. Huai Nan-tzu, capítulo 1, p. 12, diz que o

Tao é “o Nada que existe como se não existisse”.

Chuang-tzu, no c. 25 p. 194, depois de dizer que só é possível falar da origem dos seres e não da origem do Tao, afirma:

“O próprio Tao não pode existir e o Existir não pode não existir. Tao é um nome que só vale como algo emprestado (ele não tem nome próprio). Alguém agiu ou ninguém agiu se referem apenas ao canto do mundo das coisas. Como pode se referir à Grande Imensidão?”


No c. 12 p. 83, 8 diz:

“No princípio existia o Nada. O Nada não tinha nome. Esta foi a origem do Um”. Com outra pontuação “No princípio existia o não Nada”.


No capítulo 42 de Lao-tse, este Um é feito proceder do Tao. Wu, não ou nada, significa ou a espiritualidade do Tao ou a pureza do vazio onde Ele vive, não contaminado por outros seres nem misturado com eles. Na minha língua, o basco, cuja origem se perde na antiguidade, também se chama vazio à pureza. A água pura é chamada de água vazia. Seja ou não essa a ideia do Nada, o certo é que o taoísmo valoriza muito o Nada. Chuang-tzu torna o culto ao Nada uma característica do taoísmo. O c. 11 p. 78,10, diz sobre os grandes homens:

“Eles entram e saem na imensidão sem fronteiras e sem começo, como o tempo. Diz-se em seu elogio que eles fundiram suas pessoas com a Unidade. Unificados e sem eu. Sem eu, como podem ter ser? Aqueles que olham para o ser são os sábios antigos. Aqueles que olham para o Nada são os amigos do Céu e da Terra”.