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id da página: 4631 Balthasar – Liturgia Cósmica - Ideias Hans Urs von Balthasar

Balthasar Liturgia Cosmica 3


BALTHASAR, Hans Urs von. Cosmic liturgy: the universe according to Maximus the Confessor. San Francisco Calif.: Ignatius Press, 2003

  • Ideias em Deus: Uma Crítica ao Pseudo-Dionísio
    • A Abordagem Ontológica
      • Antecedentes filosóficos da transcendência divina em Filon, os Gnósticos e Plotino.
      • Adaptação cristã da doutrina das emanações por João de Citópolis, introduzindo o conceito de "ideias" como pensamentos de Deus.
      • A identidade das ideias divinas com a essência de Deus e seu caráter ontológico como princípios arquetípicos do ser criado.
      • O abismo entre a natureza incriada e a criada, superado pelo ato criador livre de Deus e não por emanação necessária.
      • Transformação do conceito platónico de "ideia" pelo conceito aristotélico e estoico de "universal" (ϰαθόλου) em Gregório de Nissa.
      • Expansão da concepção de Gregório de Nissa por Máximo, o Confessor, estabelecendo a tensão dinâmica entre o universal e o particular.
      • Distinção entre as ideias divinas, como esboço prévio da criatura no Espírito de Deus, e os universais criados.
      • Interseção da especulação alexandrina sobre o Logos com a concepção linear do plano divino.
      • Os λόγοι (ideias) de todas as coisas estabelecidos firmemente em Deus, que constituem a verdade de todas as coisas.
      • A não identidade das ideias divinas nem com a essência de Deus nem com a existência das coisas no mundo.
      • A questão da unidade das ideias no Deus simples e a sua interpretação através da teologia negativa do Logos.
      • O Logos como substância de todas as virtudes e a participação humana nelas.
      • A concentração das ideias do mundo no Criador não significa a dissolução do mundo em Deus, mas aponta para a sua fonte última.
      • A relação das ideias com Deus como produção supremamente livre e não como necessidade da natureza.
      • O modo de conhecimento de Deus, que conhece as coisas existentes como produtos do seu próprio ato de vontade.
      • A ideia de uma coisa como sua "verdade", aplicável tanto às coisas em geral como aos seus aspectos mais particulares.
      • A identificação do mundo das ideias com a vontade soberana de Deus.
      • A identificação das ideias com as coisas existentes, restringindo-se às ideias das coisas que, no plano de Deus, devem vir à existência.
      • A Encarnação do Logos e o curso histórico da salvação do mundo como uma ideia primordial de Deus e a estrutura subjacente do seu plano global.
      • O mistério da Cruz, sepulcro e Ressurreição como base e objetivo de toda a criação.
      • A dependência recíproca entre as ideias e a existência das coisas, fundada na vontade única de Deus.
      • A desigualdade e a diferença como elementos positivos e constitutivos no plano criador de Deus.
      • A absoluta simplicidade do Verbo divino e a possibilidade de unir todas as ideias da criação em Deus.
      • A identidade final das coisas não é simplesmente Deus, mas também o seu estatuto partilhado de não ser Deus.
      • A união de todos os princípios inteligíveis (logoi) das criaturas do mundo no Verbo (Logos) de Deus feito homem.
    • A Abordagem Epistemológica
      • A justificação epistemológica dos estágios do ser de Pseudo-Dionísio por Máximo, o Confessor.
      • A interpretação do ser-em-si, vida-em-si e conceitos semelhantes como o carácter geral do ser ou da vida, não especificamente determinado.
      • O processo ontológico de Pseudo-Dionísio reduzido a uma série de fases da consciência, desde uma primeira impressão geral da realidade até ao conhecimento completo do objecto individual.
      • A revelação (logos) acerca da Mônada (unidade do ser) como fundamento de todo o pensamento sobre coisas diferentes de Deus.
      • A distinção entre as "obras iniciadas no tempo" de Deus e as suas obras "supratemporais" ou eternas, pertencendo a esta segunda categoria a bondade, a vida sobrenatural, a imortalidade, a simplicidade, a estabilidade no bem, o infinito, a virtude e a santidade.
      • A transposição da noção platônica de participação para a esfera do sobrenatural e da graça.
      • A integração das três formas distintas de interpretar os princípios de Pseudo-Dionísio, distanciando-se de todas as formas ocultas de panteísmo.
      • A interpretação da frase paulina "em quem vivemos, nos movemos e existimos" (Atos 17:28) no contexto da conformidade com a ideia pré-existente em Deus.
      • O homem que vive a sua própria ideia vive em Deus e torna-se "parte de Deus" (μοῖϱα θεοῦ) por Gratia.
      • A divinização do homem através do amor a Deus (ϕιλοσόϕεον) e a hominização de Deus através do amor ao homem (ϕιλάνθϱωπον).
      • O mistério da Encarnação do Verbo de Deus como elo de conexão e âncora de todo o processo.
      • Princípios da integração de Máximo: a origem livre das ideias em Deus; a ancoragem da ideia do mundo na decisão prévia de divinizar toda a criação; o enraizamento dos princípios inteligíveis (logoi) de todas as coisas individuais no Logos divino.
      • A liberdade das ideias de Deus abre o caminho para reconhecer que a existência das coisas é absolutamente inderivável das suas ideias em Deus.
      • A "redução" de todos os princípios inteligíveis do ser (logoi) ao único Logos como uma "união não confusa" (ἕνωσις ἀσύγχυτος) da teologia da Encarnação.
  • Ideias e o Mundo: Uma Crítica ao Origenismo
    • Correção do Mito
      • A recepção filtrada do origenismo por Máximo, o Confessor, removendo os seus elementos problemáticos.
      • A polêmica filosófica e teológica contra a cosmologia origenista, centrada na doutrina da henade original dos seres racionais e no início do movimento com a queda no pecado.
      • A refutação da ideia de uma estabilidade (στάσις) original sem movimento, argumentando que a sequência ontológica correta é gênese, movimento, estabilidade (γένεσις—ϰίνησις—στάσις).
      • A incompatibilidade conceptual entre origem e imobilidade, e entre estabilidade e gênese.
      • A consequência trágica do pensamento origenista: a exposição da criação a um desassossego sem fim e ao desespero.
      • O coração da controvérsia: a rejeição da metafísica da "experiência" (πεῖϱα) do pecado como necessária.
      • A nova interpretação fundamental do movimento como uma orientação da natureza, que é boa, e não como um descanso na liberdade de vontade instável do criatura.
      • A liberdade da criatura assente na base sólida da natureza, cuja direção pré-indicada deve simplesmente realizar.
    • A Verdade do Mito
      • A interpretação positiva do mito origenista: a henade original dos intelectos é, na realidade, a existência unitária das ideias criadas no Logos.
      • O reconhecimento do único Logos como uma multiplicidade de logoi, e dos muitos logoi como o único Logos, origem e causa de todas as coisas.
      • A posição curiosa da criatura: é ontologicamente incapaz de se buscar a si mesma e de cumprir a sua própria estrutura inteligível sem, ao mesmo tempo, se estender para o que é outro que si mesma, amando a realidade infinita que está na raiz da sua própria radicalidade.
      • A aproximação do ser concreto à sua ideia através do "movimento natural" (διὰ ϕυσιϰῆς ϰινήσεως), revelando-a simultaneamente como graça.
      • A correspondência entre a existência concreta e a ideia, impossível ao nível da natureza, só pode ocorrer através de uma iniciativa completamente transcendental de Deus.
      • O encontro de todas as ideias e objetivos individuais das criaturas no Logos, tornando Cristo a ideia original, a figura subjacente do plano de Deus para o mundo.
      • A justificação da projeção ideológica do objetivo do mundo num mundo pré-histórico como a superexistência ideal e atemporal de todos os seres na sua ideia divina.
      • O ritmo da emergência e do retorno da Divindade não é um processo metafísico necessário, mas assenta na sua livre decisão e é controlado pela sua vontade.
      • A passagem do estado de imagens naturais (εἰϰόνες) de Deus para uma auto-posse intelectual que é verdadeiramente semelhança (ὁμοίωσις) de Deus.
      • A entrada perfeita do mundo em Deus alcançada através da Encarnação e da união hipostática realizada entre a natureza criada e a incriada.
      • A inclusão do processo histórico do pecado nesta síntese suprema, tornando possível a maior obra concebível de amor.
      • A transformação do movimento (kinesis) de uma queda pecaminosa para a atividade ontológica boa de uma natureza em desenvolvimento.
      • A reinterpretação das categorias evagrianas κρίσις (juízo) e πρόνοια (providência): κρίσις como distinção de coisas que fundamenta o seu ser; πρόνοια como força que leva as criaturas a uma integração modelada por Deus através do poder redentor do amor.