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id da página: 10173 Angelus Silesius Laporte Pequenino Angelus Silesius

Angelus Silesius Laporte Pequenino

O PEREGRINO QUERUBÍNICO – Roger Laporte


ANGELUS SILESIUS. L’errant chérubinique. Tradução: Roger Munier. Paris: Éditions Planète, 1970

Pode-se certamente dizer que a vida espiritual é atravessada por exigências inconciliáveis, pois como o homem pode ser divinizado se Deus está sempre para além de tudo? Como Deus pode ser ao mesmo tempo imanente: o coração do coração, e completamente transcendente, este "deserto selvagem e sem acesso" de que fala Tauler? Pode-se responder que a via negativa, sob a condição de ir até o fim de si mesma, junta-se à mística de união de que nós temos falado longamente:

O Reino do céu é das crianças.
Cristão, se tu podes ser criança do fundo de teu coração,
Já desta terra é teu o Reino dos Céus (I, 253),


e assim a infância, a humildade, a pobreza, o silêncio, a solidão, o abandono permitem tornar-se Deus, de acceder ao Deserto que "é" Deus. Por que este privilégio? Porque a nudez de um coração vazio é sinônimo de liberdade, de uma liberdade na qual o homem não se distingue mais de Deus:

O inteiramente abandonado é para sempre livre e um.
Dele a Deus, pode haver uma diferença? (II, 141.)


A mística de união mantém o orgulho à distância ao voltar-se para a teologia negativa, e a teologia negativa se guarda do ateísmo na medida em que a alma, em seu fundo, coincide com o Nada supremo: a Deidade sem modo.