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id da página: 2086 Coomaraswamy – Dança de Shiva – Nataraja

Nataraja


COOMARASWAMY, A. K. The Dance of Śiva: Fourteen Indian Essays. New York: Sunwise Turn, 1924.

Dança de Shiva

  • A Natureza de Shiva como Nataraja, Senhor da Dança

    • A identificação de Shiva como Nataraja, o Senhor dos Dançarinos ou Rei dos Atores, para quem o cosmos é o seu teatro, com muitos passos no seu repertório, sendo Ele próprio o ator e a plateia.
    • A manifestação da energia rítmica primordial como a ideia fundamental por detrás de todas as suas danças, sendo Shiva o Eros Protogonos de Luciano, associado ao início de todas as coisas.
    • A evolução de um grande motivo religioso ou artístico, que se torna todas as coisas para todos os homens, rendendo em cada era o tesouro que estes encontram nos seus próprios corações.
  • As Três Danças Principais de Shiva e os seus Contextos

    • A dança vespertina nos Himalaias, descrita no Shiva Pradosha Stotra, onde Shiva dança no cume de Kailasa com a Mãe dos Três Mundos num trono, rodeado por deuses que tocam instrumentos e cantam, e assistida por uma assembleia de seres celestes dos três mundos.
    • A dança Tandava, pertencente ao aspecto tamasico de Shiva como Bhairava ou Virabhadra, realizada em cemitérios e crematórios com Devi e tropas de diabretes, representada em antigas esculturas e interpretada na literatura Shaiva e Shakta num sentido profundo.
    • A dança Nadanta de Nataraja no salão dourado de Chidambaram ou Tillai, o centro do Universo, revelada após a submissão dos rishis hereges na floresta de Taragram, conforme relatado no Koyil Puranam, e que forma o motivo das imagens sul-indianas de Shri Nataraja.
  • A Descrição e Simbologia da Imagem de Nataraja

    • A representação de Shiva a dançar com quatro mãos, cabelo entrançado e adornado com uma cobra, uma caveira, a figura de Ganga, um crescente lunar e uma grinalda de folhas de Cássia.
    • Os adornos que ostenta, incluindo brincos diferentes (de homem e mulher), colares, braceletes, um cinto adornado, tornozeleiras e anéis.
    • O vestuário, consistindo em calças justas, um lenço esvoaçante e um fio sagrado.
    • Os objetos seguros nas mãos: um tambor na mão direita, um gesto de "não temas" na outra direita, fogo na mão esquerda, e o apontar para o anão Muyalaka com a outra esquerda.
    • A postura com o pé esquerdo elevado, sobre um pedestal de lótus, dentro de uma glória circular (tiruvasi) franjada de chamas.
  • A Interpretação Essencial da Dança como as Cinco Atividades Cósmicas

    • A representação das cinco atividades (Pancakritya) de Shiva através da dança: Shrishti (criação, evolução), Sthiti (preservação, suporte), Samhara (destruição, involução), Tirobhava (velamento, ilusão, repouso) e Anugraha (libertação, salvação, graça).
    • A associação de cada atividade a um objeto ou gesto: a criação ao tambor, a preservação à mão do gesto de "não temas", a destruição ao fogo, a libertação ao pé elevado, e o velamento ao pé assente no chão.
    • A concepção de que o Senhor é o Dançarino que difunde o seu poder na mente e na matéria, fazendo-as dançar por sua vez.
  • A Dança como Atividade Cósmica e a sua Relação com o Coração

    • A realização de que a dança ocorre dentro do coração e do eu, pois Deus está em todo o lado e esse todo é o coração.
    • A exortação para encontrar o pé dançante, o som dos sinos, as canções e os passos variados dentro de si mesmo, para que os grilhões caiam.
    • A necessidade de lançar fora do coração tudo, exceto o pensamento de Deus, para que Ele apenas possa habitar e dançar nele.
  • O Signo do Local da Dança: O Crematório e o Coração

    • A identificação do terreno de cremação não como o local onde os corpos terrestres são queimados, mas como os corações dos seus amantes, devastados e desolados, onde o ego é destruído.
    • O estado onde a ilusão e as ações são queimadas como o crematório onde Shri Nataraja dança, sendo denominado Sudalaiyadi, Dançarino do terreno de cremação.
    • A conexão histórica entre a dança graciosa de Shiva como Nataraja e a sua dança selvagem como o demônio do cemitério.
  • O Propósito Soteriológico da Dança

    • O propósito de Shiva de dançar para assegurar ambos os frutos, a recompensa neste mundo (Iham) e a beatitude na libertação (Param), para as inúmeras almas.
    • A dança da Inteligência Suprema na alma para remover os pecados, dispersar a escuridão da ilusão (maya), queimar o fio da causalidade (Karma), calcar o mal (mala, anava, avidya), conceder Graça e mergulhar a alma no oceano de Beatitude (ananda).
    • A promessa de que aqueles que testemunham esta dança mística nunca voltarão a ver renascimentos.
  • A Dança como Lila: O Passatempo Divino e a Negação Eterna

    • A concepção do processo mundial como o passatempo ou diversão (lila) do Senhor, expressa como a dança perpétua sendo a sua brincadeira.
    • A espontaneidade e ausência de propósito da dança, pois o seu ser está para além do reino dos propósitos, sendo todos os seus gestos nascidos da sua própria natureza (svabhava-jah).
    • A identificação com a negação eterna (neti, neti), criando cada momento pela negação de todas as formas anteriormente vividas.
  • Identificações Místicas: Pancakshara e Omkara

    • A identificação da dança de Shiva com o Pancakshara, as cinco sílabas da prece Shi-va-ya-na-ma ("Salve a Shiva"), cuja meditação conduz a alma à terra onde não há luz nem escuridão.
    • A explicação do arco de fogo (tiruvasi) como representando o Omkara, o som místico 'Om', com o esplendor contido sendo o akshara inseparável dele, a dança do Senhor de Chidambaram.
    • A interpretação do tiruvasi como a dança da Natureza (Prakriti), contrastando com a dança da iluminação de Shiva (Purusha), estando a alma individual no centro.
  • Síntese Final do Significado da Dança de Shiva

    • A imagem do seu Jogo Rítmico como a Fonte de todo o Movimento dentro do Cosmos, representado pelo Arco.
    • O Propósito da sua Dança para Libertar as inúmeras almas dos homens do Laço da Ilusão.
    • O Local da Dança, Chidambaram, o Centro do Universo, estar dentro do Coração.
  • A Grandeza da Concepção como Síntese Universal

    • A grandeza da concepção como uma síntese de ciência, religião e arte, com um apelo universal ao filósofo, ao amante e ao artista de todas as eras e países.
    • A expressão direta de factos evidentes por cada parte da imagem, não de meros dogmas, criando uma imagem da Energia que a ciência postula por detrás de todos os fenômenos.
    • A reconciliação do Tempo com a Eternidade através da concepção de alternâncias de fase, simbolizadas pelo tambor e pelo fogo, representando a teoria do dia e da noite de Brahma.
    • A descrição poética e científica de Shiva a dançar para despertar a matéria inerte, sustentar os fenômenos múltiplos e, no pleno do tempo, destruir todas as formas e nomes pelo fogo, concedendo novo repouso.
    • A adoração contínua da figura de Nataraja pelas gerações, incluindo aqueles familiarizados com todos os ceticismos e exploradores do infinitamente grande e pequeno.