A concepção nórdica de que são as valquírias que fazem vencer as batalhas — ratha sigri (cfr. GRIMM, Deutsche Myth., I, p. 349) — exprime a ideia de que são precisamente esses poderes que decidem a luta, e não as forças humanas no sentido restrito e individualista do termo. A ideia da manifestação de uma potência transcendente — como por vezes a voz do deus Faunus ouvida repentinamente no momento da batalha e capaz de encher o inimigo de um terror pânico — encontra-se com frequência na romanidade (cfr. PRELLER, Rôm. Myth., p. 337). E também se encontra a ideia de que por vezes será necessário o sacrifício de um chefe para realizar inteiramente essa potência, segundo o significado geral das mortes rituais (cfr. Introduz, alia magia, v. m, pp. 246 e segs.): é o rito da devotio, o holocausto de um chefe com vista a desencadear as forças inferiores e o génio do susto contra o inimigo: e também aqui, quando ele sucumbe (por exemplo no caso do cônsul Décio), se manifesta o horror pânico correspondente ao poder libertado para fora do corpo (cfr. PRELLER, op. cit., pp. 466-467), que se deve comparar ao herfjöturr, ao terror pânico infundido magicamente ao inimigo pelas valquírias desencadeadas (cfr. GOLTHER, op. cit., p. 111). Um último eco de significados do género tinha-se mantido entre os kamikaze japoneses, utilizados durante a última guerra mundial: sabe-se que o nome destes pilotos-suicidas lançados contra o inimigo significa «o vento dos deuses», remontando, em princípio, a uma ordem de ideias análoga. Nas carlingas dos seus aviões encontrava-se escrita a legenda: «Sois deuses, sem mais nenhuma cupidez terrena». (Revolta contra o Mundo Moderno)