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Perenialistas

Potlatch

PHILIPPE LAVASTINE. — O direito romano provém diretamente do direito hindu. Trata-se da identidade entre o filho e o pai: o filho torna-se pai. Não há movimento de bens, mas uma única figura que jamais se altera. Não há tempo: o tempo é uma ideia absurda dos modernos.

Aconteceu-me, na Índia, encontrar dois grupos de homens: eu estava com um comerciante europeu de madeira, e cruzamos com um camponês que carregava um machado. Eis a diferença: o camponês só ia à floresta depois de já ter feito interiormente a oferta de um tambor ao seu templo. Já havia decidido o destino da madeira que iria cortar; a doação fora feita em primeiro lugar — esse era o ato importante. Dirigia-se então à floresta para talhar a madeira do tambor.

Enquanto isso, podíamos ver o homem branco que, com seus criados, marcava as árvores que deviam ser abatidas em determinado prazo, para depois enviá-las a Bombaim sem sequer se colocar a questão de seu emprego. Tratava-se apenas de uma questão de lucro.

Pode-se, portanto, definir o progresso de nosso pensamento econômico moderno como um retrocesso, uma fuga diante da questão: para que isso servirá?

As relações humanas estão invertidas, no sentido de que, em uma civilização tradicional, é o ato de despender que tem importância. Busca-se ganhar apenas em vista dessa despesa. E ilustrarei isso com uma história de potlatch. Um grande comerciante chinês chegou a tornar-se Imperador da China porque, cada vez que acumulava uma fortuna, realizava um potlatch, isto é, distribuía tudo o que havia adquirido, até permanecer completamente nu, mas coberto de glória, deixando os outros repletos de seus bens. Estes eram obrigados a aceitar por cortesia e diziam: “Restituir-te-ei.” De fato, chegado o momento, cada um oferecia, por sua vez, uma grande festa. E o potlatch continuava... até o encontro do Campo do Pano de Ouro, entre Henrique VIII e Francisco I, em que um dos soberanos procurava deslumbrar o outro, pois a função real é, essencialmente, uma função de potlatch.

[René Guénon et l’actualité de la pensée traditionnelle. Actes du Colloque International de Cerisy-la-Salle: 13-20 juillet 1973]