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Perenialistas

O Convertido

Philippe Lavastine. — É mais grave [a conversão de Guénon ao Islame]. Sabe-se o que é, para Israel, um homem que se tornou judeu: um Baal Cheba. Um justo, diz o Talmud, não se senta ao lado de um convertido. E por quê? — perguntaram-se os rabinos. A resposta de um mestre foi a seguinte: um convertido exala mau cheiro. O mesmo é dito na Índia. Assim, quando alguns amigos instigaram-me a entrar no quadro da religião hindu, pensei que isso seria um erro. Mas disseram-me que era perfeitamente possível, sem conversão. Não que eu fosse católico muito praticante, mas a ideia de renegar a religião de minha mãe teria sido penosa. Portanto, também os hindus não admitem conversões. É no interior de cada grupo, de cada doutrina, que se pode e se deve converter-se — no interior do cristianismo, no interior do judaísmo. E essa conversão horizontal, em lugar da metanoia vertical que nos é exigida, possui algo de tão antitradicional que me causa espanto: seria Guénon, o mestre do retorno ao espírito tradicional, quem pôde dar-nos tal exemplo?