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Antonio Pereira Carneiro

Impermanência

Quatro Centúrias

Sobre a Prática do ajustamento interior pelos Seres em Despertar

Capítulo nono, intitulado:

Refutação do objeto permanente

§ 1. Negação da permanência em geral

[ 1. Causalidade e impermanência ]

201ab.

Tudo se produz em vista de um efeito. Logo não há permanência.

Com efeito, no mundo, todo desdobramento de atividade conduz a um efeito; não se refere ao ser em si. É assim que se diz no mundo: Este amor que se sente se cumpre no efeito; não existe por si mesmo. O condicionado também — elementos e seus derivados, pensamento e mentais, caracteres e coisas caracterizadas, etc., — não se produz isoladamente, mas unicamente sob a forma de complexos [ de causas e de efeitos determinados ], segundo as possibilidades. Um tal complexo comporta uma situação mútua — de causa a efeito, daí a fórmula: Quando, sendo isto, aquilo é; quando, na ausência disto, aquilo não é: isto é causa daquilo, [ e ] o outro [ termo é ] o efeito. Sem a terra, os três [ outros ] elementos não existem; se ela existe, eles existem. A produção da terra é pois ordenada (prayojana) a um efeito. Assim pois, “tudo” o condicionado sem exceção se produz em vista de um efeito específico.

Ora, o que se produz em vista de um efeito não é permanente. “Permanente” é sinônimo de “ser em si”, “[ existência ] verdadeira”, “consistência”, “realidade objetiva”, “substância”. Por conseguinte, considerar-se-á o condicionado como desprovido de ser em si, de verdade, de consistência, de realidade objetiva, de substância, pois não se [ aí ] encontra [ permanente ].

É nesse mesmo sentido que o Bem-aventurado diz: Samrddhi, o órgão visual é vazio de Si-mesmo, e de [ o que quer que seja ] que pertenceria a um Si-mesmo, [ e que seria ] permanente, estável, eterno, de natureza inalterável.

Da mesma forma: O órgão visual é vazio de órgão visual, porque não é nem imutável, nem perecível. Por que isso? Tal é sua natureza.

JACQUES MAY. CS - Commentarie de Candrakirti - Chapitre IX _ ARYADEVA ET CANDRAKIRTI SUR LA PERMANENCE ( ( I ) - 1980 ; ( II ) - 1981 a. ; ( III ) - 1981 b. ; ( IV ) - 1982 ; ( V ) - 1984 )