A tradição de Melquisedeque, um exame crítico das fontes até o quinto século d.C. e na epístola aos hebreus.
As fontes posteriores II: Gnosticismo
Existem atualmente somente quatro fontes publicadas para Melquisedeque dentro do pensamento gnóstico. Acredita-se que mais material estará disponível a partir dos documentos de Chenoboskion, mas nos documentos já publicados a partir desse achado não há menção alguma de Melquisedeque. As quatro fontes que estão disponíveis atualmente são:
(a) O fragmento 52 de Kahle,
(b) o Pistis Sophia, livros I-III,
(c) o Pistis Sophia, livro IV, e
(d) o segundo livro de Ieu.
Discutiremos cada uma delas por sua vez e apresentaremos um breve resumo no final deste capítulo.
Obtemos um quadro básico da visão de Melquisedeque a ser encontrada nos três primeiros livros do Pistis Sophia a partir da resposta que Jesus dá a Maria em resposta a uma pergunta sobre o modo de purificação das almas: Antes de termos ainda pregado a todos os arcontes dos eons e também a todos os arcontes de Heimarmene e da Esfera, todos eles estavam amarrados nos seus laços e nas suas esferas, amarrados nos seus selos, como Ieu, o supervisor da Luz, os tinha amarrado desde o começo; e cada um deles estava continuando na sua ordem, e cada um estava indo de acordo com o seu curso como Ieu, o supervisor da Luz os tinha posto. Agora, quando o tempo do número de Melquisedeque, o grande recebedor de Luz, viria, ele viria para o meio dos eons e de todos os arcontes que estavam amarrados na Esfera e em Heimarmene; e ele tiraria a pureza da Luz de todos os arcontes dos eons e de todos os arcontes de Heimarmene e os da Esfera.
Aqui somos introduzidos a algumas ideias muito difíceis no que diz respeito a Melquisedeque. O título “recebedor” é uma palavra grega pouco usada, e o seu significado só pode ser determinado a partir do contexto. Aqui “recebedor” indica a função de descer para o meio dos eons e coletar a Luz contida dentro deles, ou, mais exatamente, a “pureza da Luz”. Esta atividade acontece periodicamente como é demonstrado pelo tempo e voz do verbo que é um costume convertido ao pretérito pela partícula ne-, que poderia ser traduzida “ele costumava estar vindo”. Isso se refere à ação que acontecia habitualmente antes de Jesus ter pregado aos arcontes. (Fred L. Horton Jr)