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Antonio Pereira Carneiro

Os traços em comuns entre Aurélia e A Coruja Cega

1- O tempo

O tempo é o primeiro ponto comum entre os dois escritores. O tempo não é linear mas trata-se de um tempo cíclico que se repete e onde não se pode encontrar nem começo nem fim. É porque em todos dois relatos a recordação torna-se importante. Com efeito, pela lembrança Nerval tenta reviver o passado. Nele recordações do passado são totalmente autobiográficas e pessoais. O narrador de Hedayat também faz alusão à seu passado quimérico que, portanto, não é pessoal (por parte do autor) e que se mistura com imagens enigmáticas. Todos dois creem em existências anteriores. Por exemplo na Coruja Cega o narrador sente que viveu outrora com a jovem etérea. Em Nerval também Aurélia vivia anteriormente no corpo de Adriana. Essas existências anteriores estão, de fato, em relação direta com a existência múltipla dos personagens.

(Habibollah Gandomzadeh e Mehrnouche Keyfarokh)