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Viagem Noturna

VIAGEM — VIAGEM NOTURNA


VIDE: Ascensão da Alma

Definição de miraj, segundo contribuição de Antonio Carneiro (ME‘RÄ€J — miraj — material encontrado em MERAJ-I)

Derivado da forma instrumental árabe mef‘āl, o termo me‘rāj significa "instrumento de ascensão", seja "escada" ou "escadaria"; pode também designar o lugar que se revolve ou de onde se sobe. Entretanto, em sentido técnico e frequentemente acompanhado pelo artigo al-, designa "ascensão celestial", mas especificamente aquela que a tradição muçulmana atribui ao Profeta Maomé, uma ascensão logo associada com a "viagem noturna (esrā’) deste último.


René Guénon: A VIAGEM NOTURNA DE MAOMÉ

Pierre Gordon: A IMAGEM DO MUNDO NA ANTIGUIDADE

A Divina Comédia, de Dante, prova que a imagem constituída sob a influência do sacerdócio antigo persistiu até as fronteiras dos tempos modernos. O grande poeta italiano concebeu, com efeito, ele também, o universo como uma montanha sagrada («a montanha que encanta»), nas profundezas da qual se encerram os «infernos», enquanto acima se elevam as orbes celestes.

Os relatos relativos ao «outro mundo», quer dizer aos infernos e ao céu, assim como aos meios de aí aceder, se encontram além do mais em todos os povos. Eles dão continuidade às antigas narrações relatando as descidas no mundo subterrâneo, a subida para o paraíso, a busca da planta da imortalidade, etc., e possuem em todos os lugares a mesma fonte. Não são a princípio, na maior parte do tempo, relatos que se transmitiram de um povo a outro; o caso é aqui o mesmo que para os mitos. O que se difundiu por toda parte, são ritos, é a LITURGIA DE MORTE E DE RESSURREIÇÃO, com seu mundo subterrâneo de ascese e sua elevação santa utilizada para a divinização. Estes ritos, sendo os mesmos, alcançaram às mesmas descrições, as variantes dessas correspondendo às adaptações e às alterações do ritual. Logo é em vão que se procura se o protótipo deste gênero de literatura se encontra na Índia, ou na Caldeia, ou nos Celtas. Ele se encontra por toda parte, posto que por toda parte se desenvolveram os ritos fundamentais. Se se quiser discernir a origem verdadeira, é a proveniência destes que se deve buscar. Alcança-se então, como vimos, à teocracia neolítica da Grande Montanha e da Ilha Santa.

A realidade retratada pelos relatos corre o risco de ser falha, desde o início, devido à imagem que dela se proporciona. Do momento que se deixa o universo fenomenal para penetrar no mundo dinâmico, nosso simbolismo verbal e nossas representações sensíveis perdem todo valor, posto que se referem à matéria espacial e temporal. Todas as descrições que se fornece do outro mundo pecam forçosamente pela base e distorcem o Real. Esi o que torna impossível toda figuração do inferno e do paraíso cristãos. Nem um nem o outro, com efeito, são lugares. São estados do pensamento, com aspectos correlativos da matéria. Representar um danado com um face, é lhe conferir, de certa maneira, ser, enquanto ele é, segundo o cristianismo, um Eu mergulhado no nada, um Eu que aspira sem fim um pouco de existência, e que busca, nesta intenção, a se insinuar no fogo-luz, substância material e energética das coisas, mas que este rechaça e queima, em lugar de admiti-lo a se expandir em seu seio. Eis aí de resto o que torna tão perigoso, segundo as concepções cristãs, estes Eu em sofrimento de ser. Fazer fantasmas deles, é tornar incompreensíveis ao mesmo tempo sua natureza e as modalidades sutis da ação corrosiva incessante que exercem sobre o tecido da maya. Notas similares, formuladas em sentido inverso, poderiam ser apresentadas a respeito dos seres «residindo no céu». — O céu, não mais que o inferno, não é a princípio «o outro mundo». Ele não é exterior ao universo físico. Nós o portamos em nós e podemos entrar por toda parte em contato com ele, assim como portamos em nós e podemos criar não importa onde o inferno.



Ioan Couliano: AS LENDAS DO MIRAJ



Miguel Asin Palacios: ESCATOLOGIA MUÇULMANA NA DIVINA COMÉDIA

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